Neste Ano da Misericórdia, invocamos Maria, a Mãe da Misericórdia, pois o rosto da misericórdia teve seu advento a partir de Maria de Nazaré, aquela que nos aponta o caminho, indicando como seguir na missão. E, nessa estrada da vida, acompanhamos o Papa Francisco que proclama o Ano Santo da Misericórdia no seu segundo ano de pontificado com a divulgação da Bula Misericordie Vultus que quer dizer “O rosto da misericórdia”.

Diz o papa: “Somos chamados a viver de misericórdia, porque, primeiro, foi usada misericórdia para conosco”. Lema: “Sede misericordiosos, como vosso Pai é misericordioso” (Lc 6,36). Deus sempre toma a iniciativa, pois nosso Deus é um Deus que se revela e nos coloca terminantemente em diálogo. Sempre faz uma proposta e nos interpela a uma resposta. Podemos dizer SIM e ser misericordiosos como o Pai é misericordioso, também, dentro da liberdade que nos é dada, podemos dizer NÃO e seguir os caminhos do mundo. Então, Deus faz a proposta e na liberdade espera nossa resposta. Como modelo temos Maria, onde o Senhor fez maravilhas em sua vida, por isto santo é o seu nome, e até hoje, vinte séculos de gerações, a proclamam como Bem-Aventurada. A decisão é sua, é minha, é nossa. Muitos são os convidados. Queremos ser misericordiosos como o Pai é misericordioso?

Misericórdia, Caminho da Esperança, nos aponta o Papa, suscitando nossos corações para que neste Ano da Misericórdia, possamos viver cada dia concretamente o seu anúncio, com o exercício do perdão, do consolo, confortando e sendo Esperança àqueles que precisam. Quanta falta de entendimento no mundo. Olhamos nosso Brasil, o maior país católico da América Latina e tantas distorções sociais acontecendo, tanta corrupção. O que está errado? Onde, nós católicos não estamos vivendo como deveríamos a nossa fé? Falta espiritualidade?

Então, o que O que é a Misericórdia de Deus? – A Misericórdia não é um atributo secundário de Deus, mas, um atributo fundamental pelo qual entramos em comunhão com Ele e, na experiência de amor com Ele, somos misericordiosos para com nossos irmãos. Então, quando fazemos esta experiência, temos vontade de crescer, vontade de progredir, vontade de ser mais, vontade de ser misericordioso. Se queremos ser cristãos sem experiência, sem esta comunhão, até podemos, seremos mais um na estatística que nos coloca com o país mais católico da América Latina, mas o fundamental não acontecerá, pois não seremos humanizados e não humanizaremos nossos ambientes e assim a banda passa tocando coisas de amor e ficamos, na praça vendo a banda passar. Para sermos misericordiosos necessitamos estar sempre em saída, pronto para o bom combate. Coragem!

O Ano da Misericórdia, foi proclamado no Dia da Imaculada Conceição: Pois revela a misericórdia do Pai, com a humanidade, que preserva a Virgem Maria do pecado em vista de sua missão de ser a Mãe de Jesus, mãe do redentor, aquele de quem recebermos a misericórdia de Deus. Maria, foi preservada pelos méritos de Cristo e conforme o apócrifo protoevangelho de Tiago, que narra Maria como escolhida desde a eternidade, para ser, por obra do Espírito Santo, a Mãe de Deus. E, como é redimida, sem pecado, é a Imaculada Conceição: – Ó Maria concebida, sem pecado original / Quero amar-vos toda a vida, Com ternura filial; não é assim que cantamos na Festa da Imaculada. Ela, que vem gerar a vida, a misericórdia, para sermos misericordiosos como o Pai. O Papa quis começar no dia da Imaculada, para enfatizar Maria, que é Mãe da Misericórdia.

“É Ele quem perdoa as tuas culpas e cura todas as tuas enfermidades. É Ele quem resgata a tua vida do túmulo e te enche de graça e ternura”. (Sl 102/103,3-4). Buscamos nos Salmos a beleza da misericórdia, que nos perdoa, nos cura, nos resgata e nos enche de graça e ternura. A mesmas proclamações são concedidas a Sua Mãe, de modo supereminente, para ser modelo a todos nós. Também, cantamos no refrão do Sl 136: “Eterna é a sua misericórdia”, pois desde a criação e ao longo da história da salvação, vemos como esta misericórdia é eterna e agora chega a cada um de nós, ensinando… sejam misericordiosos, como o vosso Pai.

A ternura da Mãe, segurando no colo seu Filho, nos aponta a Mãe da Misericórdia, mostrando, que a vocação de um ser humano, deve ser a mais alta expressão do seu amor pela vida. Devemos, em tudo Amar e Servir, assim como Jesus, assim como Maria. Qual o Magis (mais), que podemos dar?

Na Plenitude dos Tempos, Deus faz uma proposta a Maria, inunda a casa de Nazaré, com a presença do anjo: – Exulta kecharitoomènee (cheia de graça), apelativo que define Maria diante de Deus.  Maria, não responde imediatamente, fica perturbada e começa uma viagem interior, no silêncio, em busca da intellectus fidei (inteligência da fé). Mas, a paciência de Deus, faz com que o anjo continue, e diz que o Espírito Santo irá transforma-la na nova Shekinah, a nova Casa de Deus e que sua virgindade é apenas um espaço oferecido à fecundidade do Spiritus creator. E Maria dá uma resposta, com “compromisso e responsabilidade”, formando uma Aliança que irá gerar uma Missão. O mesmo deve acontecer a cada um de nós, ao darmos nosso sim, neste Tempo da Igreja, nos colocando a disposição, uma “consagração”, que deve ter compromisso e responsabilidade, a assim nos tornamos “discípulos e missionários” do Reino. Podemos até dizer, que em virtude da graça de Cristo, fez que em Maria todos os membros da Igreja dessem o seu fiat mihi à encarnação.

São Paulo, Rm 5,1-5, nos encoraja com este texto, como tivesse retirado palavras da boca de Maria, falando de sua missão, mostrando a cada um de nós, o verdadeiro sentido de ser consagrado a Maria, pois: 1Justificados, pois, pela fé temos a paz com Deus, por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. 2Por ele é que tivemos acesso a essa graça, na qual estamos firmes, e nos gloriamos na esperança de possuir um dia a glória de Deus. 3Não só isso, mas nos gloriamos até das tribulações. Pois sabemos que a tribulação produz a paciência, 4a paciência prova a fidelidade e a fidelidade, comprovada, produz a esperança. 5E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado. Não é lindo isto! Paulo narra algo que aconteceu com Maria, aconteceu com ele, e agora, no hoje da história, acontece a cada um de nós.

Neste Ano da Misericórdia, que a doçura do olhar de Maria nos acompanhe, para podermos redescobrir a alegria da ternura de Deus, pois, na sua vida, tudo foi plasmado pela presença da misericórdia feito carne. A Mãe do Crucificado-Ressuscitado entrou no santuário da misericórdia divina, porque participou intimamente no mistério do seu amor.

A riqueza do seu cântico de louvor, no limiar da casa de Isabel, dedicado à misericórdia que se estende “de geração em geração” (Lc 1,50). Também estávamos presentes naquelas palavras proféticas da Virgem Maria. Dirijamos-Lhe a oração, antiga e sempre nova, da Salve Rainha, pedindo-Lhe que nunca se canse de volver para nós os seus olhos misericordiosos e nos faça dignos de contemplar o rosto da misericórdia, de seu Filho Jesus.

Nestes difíceis tempos em que vivemos, voltemos nosso olhar a Mãe da Misericórdia, rogando o entendimento em nosso coração do “tanto quanto” podemos conhecer o “Rosto da Misericórdia”. Mas, cabe um alerta: – Conhecer realmente quer dizer: ser transformado por aquilo que se conhece.

Fontes de consulta:

  • Francisco PP. MISERICORDIAE VULTUS, Bula de Proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia. 11/04/2015;
  • Feiner J. e Löhrer M. (Org.), Müller A. (Col.). MYSTERIUM SALUTIS, Fundamentos de Dogmática Histórico-Salvífica, Vol. III/7. Ed. Vozes, 1974.
  • Paiva,SJ R. (Trad.). EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS, Escritos de Santo Inácio. Ed. Loyola – 5ª Edição, 2011.
  • Rubio, A.G.. UNIDADE NA PLURALIDADE, O ser humano a luz da fé e da reflexão cristã. Ed. Paulus, 6ª Edição, 2012.