Partindo do Evangelho de São Lucas 6,36-38, onde Jesus nos fala da Misericórdia e da Gratuidade, apontando em nossas feridas aquilo que tanto falamos com a boca e menos com o coração. Mas, Deus é extremamente compassivo ao longo da história, o que confirmamos em textos da Torá, da Sabedoria e da literatura Profética, que podemos tão bem confrontar com nossa vida e compreender o quanto nos falta de misericórdia para com o próximo.

Grande experiência Moisés faz, sustentada pela narrativa de Ex 34,6-7. Experiência esta que muda a vida, pois, descobre que o Deus que tirou o povo do Egito é capaz de perdoar. Deus poderia ter exterminado o povo, pois este não foi obediente à Aliança e Moisés o teria exterminado. Mas, a grande revelação é que Deus é misericordioso. Pois, lento na ira, Deus não altera a pausa de sua respiração. Deus é abundantemente leal.

O Sl 103(102),8 revela quem é Deus e quem é o ser humano e mostra como o ser humano deve se colocar diante de Deus, diante da Palavra: – através da escuta! Pois, só está pronto para falar de Deus aquele que é capaz de ouvir Deus. E, um traço central nesse Salmo aparece nos traços de Deus: amor, compaixão, misericórdia, graça, comiseração, perdão, cura, remissão. O orante tira as lições da história do seu povo que precisa assimilar a comiseração de Deus e aprender a usar de comiseração nas suas relações familiares e sociais.

Jl 2,13: Esse dado é que permite a possibilidade de que aconteça uma experiência capaz de transformar a existência humana, pela presença e revelação de YHWH, onde todo povo é convocado para uma ação penitencial. A palavra de Joel é dirigida a classe sacerdotal, não fala em sacrifícios e nem há um pecado declarado, o que existe é um “povo apático”. Deste modo Joel é aquele que anuncia a esperança diante da catástrofe. O profeta interpreta que a convocação deve ser verdadeira, pois YHWH, não se comove com atos externos.

Jn 4,2: O grande objetivo do livro é mostrar que é mais fácil para Deus converter o pecador, do que arrancar a intolerância do coração dos que se dizem justos, é apresentada as várias contradições nas ações de Jonas e de alguns personagens que se juntam a Jonas em algumas cenas. O protagonismo pertence a Deus, que aparece agindo e reagindo, conforme ações de Jonas, marinheiros e ninivitas. São percebidos no texto quatro ações contraditórias: 1ª ação) Jonas alheio a sua vocação; 2ª ação) Jonas pede para poupar sua vida; 3ª ação) Jonas caminha um dia inteiro sob Nínive; 4ª ação) Jonas tem atitudes contrárias a de Deus. Ao final do livro, Deus coloca uma questão a Jonas, mas não possibilita uma resposta por parte do profeta, pois será oportunidade para cada leitor do texto rever sua postura pessoal diante do querer de Deus.

Em Lc 6,36-38 a mentalidade contemporânea do opor-se ao Deus de misericórdia para tirar do coração a própria ideia de misericórdia. Mas, a santidade que é própria de Deus torna-se, por sua vontade, apropriada para o ser humano, criado à sua imagem e semelhança. Desta forma, o uso da misericórdia, é acessível, em particular para quem sofre, porque é a linguagem própria do amor. Porém, cabe lembrar, que a primeira falta de misericórdia não ocorre no exterior do ser humano, mas no seu íntimo e, em particular, quando julga o seu semelhante.

Jesus Cristo quer propor um novo modelo de vida social: em vez de condenar é preciso perdoar. E, nos propõe: perdoai e sereis perdoados. Perdoa-nos as nossas dívidas como nós também perdoamos aos nossos devedores. Apontando que a estrada sobre a qual os discípulos devem andar tem um nome: misericórdia, onde a misericórdia em ação desautoriza a retribuição pelos males recebidos.