O GLORIOSO RETORNO

Em 17/01/1377: Dia lindo, povo entusiasmado, às margens do Tibre. Próximo, se ergue a Basílica de São Paulo Extramuros, no caminho (antiga via Óstia), onde o povo se aglomerava, com tochas na mão pois estavam velando, cantando ao longo de toda a noite. O Tibre lotado de barcos, no local haviam bandeiras de vários reinos. Por fim surge a figura que se aguardava, dirigindo-se à Igreja onde Pierre Ameilh de Brénac, Bispo de Sinigaglia ia celebrar a Santa Missa. Todos se prostraram diante do novo Pontífice.

Gregório XI, com 48 anos, homem franzino, magro, de rosto macerado, gasto pelas lutas e angústias, aparentava ter mais de 60 anos. Era francês, sobrinho do papa Clemente VI, ascendera na carreira eclesiástica graças à estranha rede de benesses infelizmente comuns na corte de Avinhão. No seu caso, soube utilizar dessas benesses para a glória de Deus.

Foi feito cônego aos 11 anos e cardeal aos 19 anos, mas gostava de estudar e tinha conhecimentos jurídicos que nutria sua maneira de pensar, era sábio e ponderado. Modesto, prudente, mas agia com rigor na condução dos homens. Reformador dos costumes, propagador da fé e perseguidor das heresias. Via-se nele a mais firme energia afiada numa misteriosa fragilidade.

Tão logo assumiu como papa, anunciou o seu projeto: “O bem da fé cristã”, pois muitos bispos na época não cuidavam da Igreja, como uma esposa. O seu retorno a Roma é retratado como a mais importante realização de sua vida, pois no Séc. XVI a Igreja era atingida pela cisão, que era o Exílio de Avinhão.

O cortejo se move, o papa volta a Roma, ia a cavalo. De Rocher des Doms (Avinhão) até Roma são aproximadamente 950 km, a viagem demorou 4 meses. Queria esquecer o preço pago por esta brilhante vitória, alcançada mais através da força do que do amor aconselhado por Catarina de Sena (†1380).

O retorno do papa a Cidade Eterna, foi brilhante e vibrante envolvido pelo calor do povo. Ao chegar a Roma, prostrou-se diante do túmulo de Pedro e abismou-se na meditação e na oração. Mas, o papa estava entregue a sombrios pressentimentos que se misturavam com ação de graças.

Fonte: Rops, D. História da Igreja – Vol. IV – Rei dos Livros, Lisboa, Pt, 1984.

Parte 2: Os últimos papas de Avinhão