O mundo que Maria habitava era multilíngue. Os romanos falavam latim, as classes cultas, comerciais e governantes falavam grego, os judeus ouviam hebraico lido nas sinagogas e falavam aramaico, num estilo diferente do povo de Jerusalém.

No tempo de Maria de Nazaré, Israel esteve sob vários governantes políticos. Foi durante o reinado de Herodes Magno, senhor inconteste da Palestina, que reinou de 37 a.C a 4. d.C., que Maria e Jesus nasceram. Seus melhoramentos culturais profusos e grandiosos foram financiados por impostos.

Quando Herodes morreu, o ressentimento explodiu em revolta e os romanos responderam com eficiência brutal, queimando aldeias e vendendo os habitantes para a escravidão. Nessa época, Maria, jovem de 15 ou 16 anos, com um bebezinho, testemunhou a violência e a destruição causadas pelos romanos.

O filho de Herodes, Herodes Antipas, construiu uma capital magnifica em Tibério, reconstruiu Séforis e coletou mais impostos do povo. A exibição da riqueza e poder nessas cidades intensificou o hiato entre os camponeses e a classe alta. Por causa da conquista romana, um grande número de escravos e pessoas desalojadas pela guerra inchava as cidades. O reinado de Herodes Antipas foi o contexto político da vida adulta de Maria. Ela sofreu a execução do Filho por crucificação nas mãos do governador romano, Pôncio Pilatos. Miriam de Nazaré não desconhecia o sofrimento e a violência. Experimentou a opressão sob os sistemas de domínio conspiradores do Império Romano e do Templo judaico.

Elizabeth Anne Johnson (teóloga norte-americana), apresenta um resumo sucinto, mas abrangente, da vida de Maria:

Entregue a perigosa gravidez, dando à luz numa estrebaria, refugiando-se num país estrangeiro, fazendo perguntas, avaliando o significado, fazendo o trabalho duro das mulheres de uma aldeia agrícola, ansiosa a respeito do ministério de seu Filho, perdendo-o para a execução do Estado, vivendo como idosa viúva na comunidade pós-pentecostal: em todos esses momentos ela é irmã para as vidas não relatadas das mulheres marginalizadas de todos os tempos e de todos os que se solidarizam com elas.

Fonte: Coyle, K., Maria tão plena de Deus e tão nossa, Paulus,2012.