Canto:

A treze de maio na cova da íria
No céu aparece a Virgem Maria
Ave, ave, ave Maria, Ave, ave, ave Maria
 
Há três pastorinhos cercada de luz
Visita a Maria, mãe de Jesus
Ave, ave, ave Maria, Ave, ave, ave Maria
 

INTRODUÇÃO

Para que servem os Santos? Para dizerem aos homens de hoje que só em Deus se encontra a sua plenitude, que só Deus pode preencher todos os vazios.

 

OS VIDENTES DE FÁTIMA

A vida da Lúcia, do Francisco e da Jacinta, pequenos pastores de Fátima, é uma história de graça e misericórdia.

Nascidos em Aljustrel, pequeno lugar da Paróquia de Fátima, no início do século XX, os irmãos Francisco e Jacinta e a sua prima Lúcia crescem num ambiente familiar modesto, numa terra agreste, pacata e isolada.

Aos sete anos a Lúcia começou a pastorear o rebanho da família. Lúcia era uma criança desperta para o amor de Deus. Já, Francisco, pelo olhar contemplativo com que alimentava o silêncio interior, tocava a natureza como quem toca a criação e se deixa banhar pela beleza do Criador. A Jacinta preferia a “candeia de Nossa Senhora”, a lua, que não fazia doer à vista. A pequena acompanhava de perto a prima Lúcia, por quem tinha um grande carinho. Rezavam também. E, assim, Lúcia, Francisco e Jacinta, cresciam em sabedoria, em estatura e em graça.

Quando numa tarde primaveril de 1916, depois da sua simples oração, os pequenos pastores avistaram, por sobre as árvores, “uma luz mais branca que a neve, com a forma dum jovem, transparente, mais brilhante que um cristal atravessado pelos raios do Sol”.

Por três vezes, esta luz branca, os visitará, na primavera, verão e outono de 1916, será o Anjo da Paz.

A última manifestação do Anjo renova o convite à adoração e desdobra-se com um apelo a dar graças – a se fazer eucaristia – e a tornar-se dom oferecido pelos outros.

A partir de então, os pastorinhos hão de viver imersos nesta adoração de Deus, com um desejo discreto, mas convicto de transformar as suas vidas em dom oferecido ao Criador pelos outros.

“Quereis oferecer-vos a Deus?” É com esta ousadia que uma Senhora mais brilhante que o sol irrompe, em 13 de maio de 1917, na vida das três crianças na Cova da Iria. E, durante seis meses, a cada dia 13, a Virgem Maria virá renovar este convite.

As vidas de Francisco, Jacinta e Lúcia assumem essa vocação inseparavelmente contemplativa, compassiva e anunciadora.

O Francisco, movido pelo seu olhar interior sensível à luz do Espírito, sente o apelo à adoração e à contemplação.

A pequena Jacinta traduz a alegria, a pureza e a generosidade da fé, acolhida como oferta do coração de Deus e transformada, nas insignificâncias da sua vida simples de menina.

Lúcia acolhe a missão de evangelizar, de dar a conhecer a boa-nova da misericórdia de Deus, respondendo ao desejo do Deus da misericórdia de que o mundo se consagre ao Coração Imaculado de Maria

As vidas do Francisco e da Jacinta foram breves e simples. Francisco morrerá em 4 de abril de 1919 em sua casa, e Jacinta em 20 de fevereiro de 1920, sozinha, num hospital em Lisboa.

Lúcia verá ainda a Igreja confirmar que o segredo deixado em Fátima é eco do evangelho. No final deste intenso percurso espiritual, Lúcia é acolhida definitivamente pela luz de Deus em 13 de fevereiro de 2005.

 

A PRIMEIRA APARIÇÃO DE NOSSA SENHORA (13.05.1917)

ANTES DA APARIÇÃO: Num sábado, dia 5 de Maio de 1917, em momento de extrema gravidade da primeira guerra mundial, o Papa Bento XV pedia preces à Virgem Santíssima, principalmente às crianças, pela paz, e fixava, para o primeiro dia de Junho seguinte, a introdução da invocação “Rainha da Paz, rogai por nós”

A APARIÇÃO: Conta Lúcia: “Vimos um relâmpago para o lado da nascente, e, receando que viesse trovoada, embora estivesse bom tempo, eu disse ao Francisco que era melhor irmos para casa, recolher o gado” (Lúcia, 8.07.1924; cf. c. 27.05.1917; 19.10.1917; 1.08.1918; Memórias, IV, II, Nov.-Dez. 1941). “Começamos a descer a encosta, tocando as ovelhas, em direção à estrada […]. Quando chegamos ao meio da fazenda, deu outro relâmpago, e, dois passos adiante, vimos em cima duma carrasqueira, que teria um metro de altura, aproximadamente, uma Senhora” (Lúcia, 8.07.1924).

“Nossa Senhora termina a sua Mensagem, desse dia 13 de Maio de 1917, dizendo: ‘Rezem o terço, todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo e o fim da guerra’” (Irmã Lúcia, Apelos, 1997).

DEPOIS DA APARIÇÃO, NA CASA DA FAMÍLIA MARTO: Depois da maravilhosa aparição, as crianças reuniram os seus rebanhos e regressaram a casa. Diz Lúcia: “combinei com os meus primos não dizer nada a ninguém” (Lúcia, 8.07.1924).

 

A SEGUNDA APARIÇÃO DE NOSSA SENHORA NA COVA DA IRIA (13.06.1917)

No dia 13 de junho de 1917, celebrava-se, em Fátima, a festa de Santo António. Os pastorinhos, Lúcia de Jesus e seus primos Francisco e Jacinta Marto, preparavam-se para comparecer na Cova da Iria, ao meio-dia solar, como Nossa Senhora lhes tinha pedido. As famílias procuraram demovê-los: a mãe da Lúcia não acreditava que a filha dissesse a verdade e queria que ela fosse à festa, em vez de ir à Cova da Iria; os pais do Francisco e da Jacinta partiram, muito cedo, para a feira das Pedreiras, Porto de Mós.

A estranha ordem dada à Lúcia, de aprender a ler, começou a correr, e até a imprensa adversa, de Lisboa, lhe deu eco: “A Senhora disse aos pastorinhos que deviam aprender a ler e a escrever” (“O Mundo”, DCF Página 1 III, 1, doc. 10, de 19 de agosto de 1917, p. 50-51).

Foi então que a celeste Mensageira, abrindo os braços com um gesto de maternal proteção, nos envolveu no reflexo da Luz do imenso Ser de Deus […]. Nesta aparição de 13 de junho de 1917, de que estou falando, digo nas “Memórias”: ‘À frente da palma da mão direita de Nossa Senhora, estava um coração, cercado de espinhos, que parecia estarem-lhe cravados.

 

A TERCEIRA APARIÇÃO DE NOSSA SENHORA NA COVA DA IRIA (13/07/1917)

Falou Lúcia: – Levantei-me, disse que se chegassem para trás, alguma coisa, e que ajoelhassem os que pudessem e quisessem; tornei a ajoelhar e perguntei-lhe: – O que é que me quer? – Quero-te dizer que voltem cá no dia 13. E disse mais: – Rezem o terço a Nossa Senhora do Rosário que abrande a guerra, que só ela é que lhe pode valer.

Nossa Senhora, ensinou esta oração aos pastorinhos, a 13 de julho: ‘Ó meu Jesus perdoai-me. Livrai-me do fogo do inferno. Levai as alminhas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem’.

– Continuem a vir aqui todos os meses. Em outubro, direi quem sou, o que quero e farei um milagre que todos hão-de ver, para acreditar.

– Sacrificai-vos pelos pecadores e dizei muitas vezes, em especial sempre que fizerdes algum sacrifício: Ó Jesus, é por Vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria.

Ao dizer estas últimas palavras, abriu de novo as mãos, como nos dois meses passados. O reflexo pareceu penetrar a terra e vimos como que um mar de fogo. Mergulhados nesse fogo, os demônios e as almas, como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio,

 

QUARTA APARIÇÃO DE NOSSA SENHORA NOS VALINHOS (19.08.1917)

O Administrador (Artur de Oliveira) de Ourém, sequestrou as crianças que ficaram trancados em um quarto na sua casa e onde iam à Administração e sofriam interrogatórios. Nem os pais foram vê-los. Já a esposa do Administrador os tratava com zelo e carinho. Colocaram eles na cadeia, onde só rezavam agradecidos e Jacinta tornou parceira de um pobre ladrão.

Já que eles não abriam mão do que viram e falaram com Nossa Senhora, o Administrador, falou que os colocaria em um caldeirão de azeite a ferver.

Os pais começaram a ficar preocupados já havia dois dias e duas noites que não apareciam. Enfim, encontraram os filhos na casa paroquial.

No dia 19 de agosto, estavam eles num lugar chamado Valinhos; Lúcia começou a sentir uma mudança sutil na atmosfera e logo acima, em uma azinheira parecida com a da Cova da Iria e Nossa Senhora aparece e pede que, arrecadem dinheiro e façam dois andores: um para a festa de NS do Rosário e outro para construir uma Capela.

 

QUINTA APARIÇÃO DE NOSSA SENHORA (13.09.1917)

Nesse dia, 15 a 20 mil pessoas, e talvez mais, acorreram à Cova da Iria. Todos queriam ver, falar e fazer pedidos às crianças para que apresentassem à Virgem. Junto à carrasqueira, começaram a rezar o Terço com o povo, até que num reflexo de luz Nossa Senhora apareceu sobre a azinheira.

“Continuem a rezar o Terço para alcançarem o fim da guerra. Em outubro virá também Nosso Senhor, Nossa Senhora das Dores e do Carmo, São José com o Menino Jesus, para abençoarem o mundo. Deus está contente com os vossos sacrifícios, mas não quer que durmais com a corda [cilício], trazei-a só durante o dia”.

Segundo o testemunho de alguns espectadores, por ocasião dessa visita de Nossa Senhora, como das outras vezes, ocorreram diversos fenômenos atmosféricos. Observaram “à distância aparente de um metro do sol, um globo luminoso, que em breve começou a descer em direção ao poente e, da linha do horizonte, voltou a subir de novo em direção ao sol”. Além disso, a atmosfera tomou uma cor amarelada, verificando-se uma diminuição da luz solar, tão grande que permitia ver a lua e as estrelas; uma nuvenzinha branca, visível até o extremo da Cova, envolvia a azinheira e com ela os videntes. Do céu choviam como que pétalas de rosas ou flocos de neve, que se desfaziam pouco acima das cabeças dos peregrinos, sem deixar-se tocar ou colher por ninguém”.

Ainda que breve, a aparição de Nossa Senhora deixou os pequenos videntes felicíssimos, consolados e fortalecidos em sua fé. Francisco, de modo especial, sentia-se transportado de alegria com a perspectiva de ver, dali a um mês, Nosso Senhor Jesus Cristo, conforme lhes prometera a Rainha do Céu e da Terra.

 

SEXTA E ÚLTIMA APARIÇÃO (13.10.1917)

Já era o outono. Uma chuva persistente e forte transformara a Cova da Iria num lamaçal e encharcava a multidão de 50 a 70 mil peregrinos, vindos de todos os cantos de Portugal. Assim que chegaram os videntes, Lúcia pediu que fechassem os guarda-chuvas para rezarem o Terço. E, pouco depois, houve o reflexo de luz e Nossa Senhora apareceu sobre a carrasqueira.

“Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a rezar o Terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em breve para suas casas.”

Ao pedido de cura para uns doentes e conversão para alguns pecadores, Nossa Senhora respondeu: – Uns sim, outros não. É preciso que se emendem, que peçam perdão dos seus pecados”.

E tomando um aspecto triste, Ela acrescentou: – “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor que já está muito ofendido”. E, abrindo as mãos, fê-las refletir no sol, e enquanto Se elevava, continuava o reflexo da sua própria luz a projetar-se no sol.

 

VISÕES DE CENAS SIMBOLIZANDO OS MISTÉRIOS GOZOSOS, DOLOROSOS E GLORIOSOS DO ROSÁRIO

Chovera durante toda a aparição. Lúcia, no término de seu colóquio com Nossa Senhora, gritara para o povo: “Olhem para o sol!” Rasgam-se as nuvens, e o sol aparece como um imenso disco de prata. Apesar de seu intenso brilho, pode ser olhado diretamente sem ferir a vista. As pessoas o contemplam absortas quando, de súbito, o astro se põe a “bailar”. Gira rapidamente como uma gigantesca roda de fogo. Pára de repente, para dentro em pouco recomeçar o giro sobre si mesmo numa espantosa velocidade. Finalmente, num turbilhão vertiginoso, seus bordos adquirem uma cor escarlate, espargindo chamas vermelhas em todas as direções. Esses fachos refletem-se no solo, nas árvores, nos arbustos, nas faces voltadas para o céu, reluzindo com todas as cores do arco-íris. O disco de fogo rodopia loucamente três vezes, com cores cada vez mais intensas, treme espantosamente e, descrevendo um ziguezague descomunal, precipita-se em direção à multidão aterrorizada. Um único e imenso grito escapa de todas as bocas. Todos caem de joelhos na lama e pensam que vão ser consumidos pelo fogo. Muitos rezam em voz alta o ato de contrição. Pouco a pouco, o sol começa a se elevar traçando o mesmo ziguezague, até o ponto do horizonte de onde havia descido. Torna-se então impossível fitá-lo. É novamente o sol normal de todos os dias.

O ciclo das visões de Fátima estava encerrado.

Os prodígios haviam durado cerca de 10 minutos. Todos se entreolhavam perturbados. Depois, a alegria explodiu: “O milagre! As crianças tinham razão!” Os gritos de entusiasmo ecoavam pelas colinas adjacentes, e muitos notavam que sua roupa, encharcada alguns minutos antes, estava completamente seca.

O milagre do sol pôde ser observado a uma distância de até 40 quilômetros do local das aparições.

Que a Senhora de Fátima, junto aos Santos, de modo especial São Francisco e Jacinta Marto, interceda junto a Jesus pelo nosso Brasil

VIVA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA!!!

Canto:

A treze de maio na cova da íria
No céu aparece a Virgem Maria
Ave, ave, ave Maria, Ave, ave, ave Maria 
 
A virgem nos manda o terço rezar
Assim diz “meus filhos, vos hei de salvar”
Ave, ave, ave Maria, Ave, ave, ave Maria
 
Fonte: Walsh. W.T., NOSSA SENHORA DE FÁTIMA. Ed. Quadrante, São Paulo-SP, 1996