Nos Exercícios Espirituais, em seu nº 230, Santo Inácio nos fala da Contemplação para alcançar o amor, e diz em nota. Convém, em primeiro lugar, notar duas coisas.

A primeira, que o AMOR deve consistir mais em obras do que em palavras.

A segunda (EE 231): O AMOR consiste na comunhão mútua…

É a ação de graças de tantos dons e benefícios recebidos do Pai, como a minha própria vida que é dom, e, diante de tanto reconhecimento, por tudo o que tenho e que sou, agradeço em sinal de retidão e ofereço o meu viver: “Tomai, Senhor, e recebei toda a minha liberdade, a minha memória, a minha inteligência e toda a minha vontade, tudo o que tenho e possuo. Vós me destes; a Vós, Senhor, restituo. Tudo é vosso; disponha segundo a vossa vontade. Dai-me vosso amor e a vossa graça, que isto me basta” (EE 234).

Aqui se dá o encerramento dos Exercícios Espirituais, um retorno ao Princípio e Fundamento, para mostrar que tudo vem do Pai e tudo volta para o Pai. Esta contemplação nasce da experiência de Inácio, no final de seu itinerário de conversão.

Olho a Criação de Deus, com outro olhar, novos olhos, iluminados pela purificação em meu interior. Saio do Antigo Testamento e quero experimentar em minha vida um Novo Testamento, experimentar a utopia do Reino, que é justiça, amor, verdade e paz, e assim, ir concluindo o itinerário de conversão.

Em Mt 9,14-17, meditamos sobre o “vinho novo em odres novos”, onde a novidade trazida por Jesus é a mensagem do Reino, que implica mudança, regeneração de nosso modo normativo de pensar e agir.

Santo Inácio, nos ensina na oração contemplativa: – há que “ver” as pessoas, “ouvir” o que elas dizem e “olhar” o que elas fazem (EE 106-108), é uma linguagem interior, simbólica, não racional, que me traz como fruto a IMAGINAÇÃO, onde experimento passar do visível à realidade invisível da ação de graça, agindo em minha vida.

Deus é Bom!