A TEOLOGIA MORAL difere:

1.ÉTICA FILOSÓFICA: Esta, embora também tencione contribuir  para a realização do ser humano, guia-se apenas pelas luzes da razão; indica tão somente os caminhos que o bom senso e o raciocínio podem descobrir para orientar o comportamento humano; prescinde do grandioso plano de salvação que o Pai traçou para nós, dando-nos seu filho feito homem e o Espírito Santo, Mestre interior dos corações.

A ÉTICA FILOSÓFICA é válida, mas não atinge o mais profundo do mistério do homem.

2. TEOLOGIA DOGMÁTICA: Ambas partem de verdades de ordem sobrenatural, mas enquanto a DOGMÁTICA trata de verdades em ordem sobrenatural em sentido especulativo, a TEOLOGIA MORAL diz respeito às verdades de ordem prática e formativa. A primeira expõe e desenvolve as verdades e fatos sobrenaturais concernentes à doutrina da salvação eterna, que são patrimônio da fé (Revelação, cf. Dei Verbum nº 2), a se gunda se traduz em um complexo de normas, que regulam a atividade humana à luz da consciência reta (Gaudium et Spes nº 16).

3. TEOLOGIA ESPIRITUAL (Ascética e Mística), é como o coroamento da TEOLOGIA MORAL, enquanto se interessa dos meios e das leis que regulam  o progresso da vida espiritual, baseando-se em princípios tirados da TEOLOGIA MORAL e da TEOLOGIA DOGMÁTICA.

4. PASTORAL: a qual expõe as normas práticas para atender com fruto o cuidado dos fiéis.

5. DIREITO, Civil e Canônico: tem em vista a sociedade e a necessidade de se regulamentar a convivência dos homens entre si, a fim de que seja harmoniosa e construtiva. O DIREITO considera principalmente o foro externo, isto é, o comportamento visível da pessoa (se está ou não de acordo com as normas estabelecidas), enquanto a TEOLOGIA MORAL vai ao íntimo do ser humano, ao seu foro interno, à sua consciência.

Eis um exemplo: todo filho tem em sua consciência o dever de assistir aos pais em extrema penúria; tal obrigação, que brota do foro interno, é um dever moral. Pode, não ser imposto por alguma Lei do Estado; fica apenas no plano da consciência íntima.

No caso do DIREITO Civil, visando proteger os genitores, impor ao filho o dever jurídico de assistir os pais, o jovem estará obrigado também ao foro externo.

O seu comportamento será avaliado de acordo com a fidelidade à Lei da sociedade; se o filho prestar aos pais tudo o que a Lei manda, estará livre (“legal”) no foro externo, mesmo que no foro interno, isto é, em consciência despreze ou odeie seus pais. O DIREITO não pode levar em consideração esse ódio, enquanto a TEOLOGIA MORAL o considera, pois ela diz respeito ao âmago do ser humano.

A TEOLOGIA MORAL é mais abrangente, mais profunda e exigente do que o DIREITO; em muitos casos, alguém pode estar desobrigado com a Lei, mas em débito com a consciência: é o caso de quem rouba, servindo-se de dispositivos da própria Lei! É desejável, porém, que MORAL e DIREITO (seja Canônico ou Civil) se complementem mutuamente e que o DIREITO não seja senão a explicitação concretas das Lei Morais. Isto acontece sempre com o DIREITO Canônico (considerado justamente, com a Sagrada Escritura e as Atas do Vaticano II, uma das partes da TEOLOGIA MORAL, mas não sempre, infelizmente, as autoridades civis manifestam a responsabilidade de realizar este equilíbrio.

É também desejável que todo indivíduo satisfaça sempre os seus legítimos deveres de foro interno e de foro externo, esteja sempre em dia com a MORAL e com o DIREITO, evitando-se parecer “Legal” sem ser tal da verdade!

Como vimos, a TEOLOGIA MORAL difere da ÉTICA, da DOGMÁTICA, da ASCÉTICA, da PASTORAL e do DIREITO, mas mantém relações estreitas com todas essas ciências afins, especialmente com a TEOLOGIA ESPIRITUAL, pois, como o Concílio Vaticano II afirmou: “a exposição científica da TEOLOGIA MORAL deve evidenciar a sublimidade da vocação dos fiéis em Cristo e sua obrigação de produzir frutos na caridade, para a vida do mundo” (Optatam Totius nº 16).

Concluímos com as palavras do Cardeal Joseph Ratzinger, em seu pronunciamento no dia 18/abr/1986: “Não devemos dar espaço as discordâncias tão difundidas de muitos teólogos moralistas com relação ao Magistério da Igreja, discordância que é expressão de um “cristianismo burguês”, no qual o cristianismo não é mais impulso para uma nova resposta e para uma nova esperança diante de formas de civilização atualmente decrépitas, e sim uma herança do passado da qual não se quer separar, mas que se deseja atenuar o mais possível, conciliando-a com os próprios desejos”.

DIVISÃO DA TEOLOGIA MORAL

A TEOLOGIA MORAL compreende duas partes:

MORAL FUNDAMENTAL: estuda as noções básicas, como a do Fim Supremo, Ato Humano, Critérios de Moralidade, Leis: da Consciência, do Pecado, da Virtude; são os princípios gerais que servem de base a toda a MORAL.

MORAL ESPECIAL: É aquela que dá normas ao homem, por Vontade Divina, e o que deve observar para conseguir o seu Fim Supremo, que é Deus.

Fonte:

VV.AA. Obediência e Salvação, Instituto Diocesano Missionário dos Servos da Igreja – Diocese de Rio Preto, SP, 1986.