A verdadeira MORAL CATÓLICA não é um sistema de preceitos e proibições, com sua casuística, que ensinaria o cristão a tranquilizar a consciência cumprindo os seus deveres com o mínimo de incômodos. Se assim fosse, a TEOLOGIA MORAL seria até um desestímulo à generosidade e à magnanimidade! A TEOLOGIA MORAL, como a Igreja a quer, tende a levar todos os homens à realização da sua vocação suprema, que é a vocação à perfeição e à santidade (cf. Lumen Gentium nº 5).

Nenhuma criatura é chamada à mediocridade ou ao meio-termo espiritual. É particularmente útil, pois, considerar os traços característicos da MORAL CATÓLICA: 1. SEGUIR O CRISTO; 2. VIVER EM AMOR; 3. PARTICIPAR DA PÁSCOA DE CRISTO; 4. GLÓRIA A DEUS E AUTO-REALIZAÇÃO DO HOMEM.

I – SEGUIR O CRISTO:

SER CRISTÃO é não somente professar a doutrina cristã , mas vem a ser, antes do mais, estar inserido em Cristo, aderir à pessoa de Cristo e, consequentemente, à sua doutrina. Pelo BATISMO o indivíduo renasce não apenas nominal, mas realmente, recebendo um princípio de vida nova (filiação divina): “Respondeu Jesus a Nicodemos: – Em verdade, em verdade te digo, quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus” (Jo 3,5). Esta vida nova é dinâmica como uma semente de vida eterna e tende a desabrochar-se dentro do cristão, levando-o a um comportamento cada vez mais pautado pela dignidade de filho de Deus. É dentro do coração do cristão que devem proceder os ditames da sua vida MORAL.

Jr 31,33-34: “Eis a aliança que, então, farei com a casa de Israel – oráculo do Senhor: Incutir-lhe-ei a minha lei; gravá-la-ei em seu coração. Serei o seu Deus e Israel será o meu povo. Então, ninguém terá encargo de instruir seu próximo ou irmão, dizendo: Aprende a conhecer o Senhor, porque todos me conhecerão, grandes e pequenos – oráculo do Senhor -, pois a todos perdoarei as faltas, sem guardar nenhuma lembrança de seus pecados.”

Ez 36,26-27: ”Dar-vos-ei um coração novo e em vós porei um espírito novo; tirar-vos-ei do peito o coração de pedra e dar-vos-ei um coração de carne. 27.Dentro de vós meterei meu espírito, fazendo com que obedeçais às minhas leis e sigais e observeis os meus preceitos.”

Isto não quer dizer que a MORAL seja meramente subjetiva ou deduzida ao íntimo do sujeito. Não, o cristão deve procurar formar a sua consciência de acordo com a Lei de Deus, que lhe é comunicada por instâncias objetivas, existentes fora dele (o tripé da Revelação: Sagrada Escritura, Sagrada Tradição e Magistério da Igreja); mas é certo que o cristão portador de uma semente de vida eterna deve possuir afinidade crescente com as normas MORAIS. Estas vêm a ser cumpridas com amor e com deleite, os quais tomam o lugar da coação e do temor.

1Jo 4,18: ”No amor não há temor. Antes, o perfeito amor lança fora o temor, porque o temor envolve castigo, e quem teme não é perfeito no amor.”

A consciência de ser Filho de Deus levava São Paulo a dizer:

Gl 2,20: ”Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim.”

Cl 1,24: ”Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por seu corpo que é a Igreja.”

Estas palavras, que cada batizado deveria poder repetir, significam que as ações, os sofrimentos ou, em suma, todo o viver do cristão, estão elevados a um plano superior; o cristão é um outro Cristo; nele se prolonga a vida do Senhor, como nos ramos da videira se derrama a seiva do tronco que dá frutos através dos ramos.

Jesus afirma: Jo 15,1.4-5: ”Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que não der fruto em mim, ele o cortará; Permanecei em mim e eu permanecerei em vós. O ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanecer na videira. Assim também vós: não podeis tampouco dar fruto, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanecer em mim e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.”

Fonte: VV.AA. Obediência e Salvação, Instituto Diocesano Missionário dos Servos da Igreja – Diocese de Rio Preto, SP, 1986.