IV – GLÓRIA A DEUS E AUTO-REALIZAÇÃO DO HOMEM

A Glória de Deus – Fim Supremo de toda criatura – e a felicidade ou a auto-realização do homem não se opõem entre si. Com outras palavras: a sede de felicidade, inata em todo ser humano, e o cumprimento dos deveres morais se conjugam harmoniosamente. O homem chamado à santidade e à perfeição é a mesma criatura que Deus, por um desejo congênito incoercível, chamado a ser feliz.

A procura da felicidade é, não raro, o ponto de partida de uma conversão para Deus e pode ser o estímulo que sustenta a caminhada. A Igreja condenou a doutrina do “quietismo” do século XVII: este pregava um amor a Deus tão “puro” que se desinteressaria  da salvação do próprio sujeito e do progresso da perfeição espiritual. O cristão não deve se separar daquele valor estes outros; apenas acontece que o cristão, ao progredir na via da perfeição, passa aos poucos a amar seus interesses pessoais a partir do novo fundamento, ou seja, a partir do amor que Cristo tem para com ele. Assim deixa de haver dois princípios de polarização na vida do cristão – o próprio eu e o Senhor Deus -, mas passa a existir um só: Deus, em cujo plano de sabedoria e amor, à criatura se redescobre cumulada de nova dignidade.

Liturgia (Missal Romano) afirma: “Servir a Deus é reinar”.

Complementando esses conceitos, o Sínodo  Mundial dos Bispos, em 08/12/1985, se pronunciou nestes termos: “Como mistério em Cristo, a Igreja é sinal e instrumento de santidade. Por este motivo o Concílio Vaticano II proclamou a vocação de todos os fiéis à santidade (Lumen Gentium nº 5). O apelo à santidade convida a uma íntima conversão de coração e a participar na vida de Deus Uno e Trino – o que vai além da realização de todo o desejo do homem. Principalmente em nossa época, em que tantas pessoas sentem em si um vazio interior e atravessam uma crise espiritual, a Igreja deve conservar e promover energicamente o sentido da penitência, da adoração, do sacrifício, do dom de si, da caridade, da justiça. Através de toda a história da Igreja os santos e as santas sempre foram fonte e origem de renovação das circunstâncias mais difíceis. Hoje temos grandes necessidade de santos e, sem cessar, devemos pedi-los a Deus. A Bem-Aventurada Virgem Maria, nossa Mãe no plano da graça (cf. Lumen Gentium nº 61), é nosso exemplo de santidade e de resposta total ao apelo que Deus dirige a todos os cristãos” (cf. Lumen Gentium nº 8) – (Relatório final, Parte A nº 5).

Fonte: VV.AA. Obediência e Salvação, Instituto Diocesano Missionário dos Servos da Igreja – Diocese de Rio Preto, SP, 1986.