II – VIVER EM AMOR

A grande novidade do Cristianismo, consiste em dizer a narrativa de João, em 1Jo 4,16: ”Nós conhecemos e cremos no amor que Deus tem para conosco. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus e Deus nele.”. O Evangelista, depois nos diz, que o Amor, nos amou primeiro, cf. 1Jo 4,10: ”Nisto consiste o amor: não em termos nós amado a Deus, mas em ter-nos ele amado, e enviado o seu Filho para expiar os nossos pecados.”.

Foi, com efeito, quando ainda éramos fracos que Cristo, no tempo marcado, morreu pelos ímpios. Dificilmente alguém dá a vida por um ímpio; por um homem de bem talvez haja alguém que se disponha a morrer. Vejamos o que Paulo nos diz em Rm 5,6-8: ”Com efeito, quando éramos ainda fracos, Cristo a seu tempo morreu pelos ímpios. Em rigor, a gente aceitaria morrer por um justo, por um homem de bem, quiçá se consentiria em morrer. Mas eis aqui uma prova brilhante de amor de Deus por nós: quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós.”

O gestos acima (de amor e doação), nos apontam, qual deve ser o comportamento moral do cristão, que deve ser resposta ao amor primeiro, cf. 2Cor 5,14: “O amor de Cristo nos constrange, considerando que, se um só morreu por todos, logo todos morreram.” Por isto, também, a Lei do Novo Testamento se resume em dois preceitos: o Amor a Deus e o do Amor ao próximo, cf. textos abaixo:

  • Mt 22,37-40: ”Respondeu Jesus: Amarás o Senhor teu Deus de todo teu coração, de toda tua alma e de todo teu espírito (Dt 6,5). Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18). Nesses dois mandamentos se resumem toda a lei e os profetas.”
  • Mc 12,28-31: ”Achegou-se dele um dos escribas que os ouvira discutir e, vendo que lhes respondera bem, indagou dele: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é este: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor; amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito e de todas as tuas forças. Eis aqui o segundo: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Outro mandamento maior do que estes não existe.”
  • Lc 10,25-28: ”Levantou-se um doutor da lei e, para pô-lo à prova, perguntou: Mestre, que devo fazer para possuir a vida eterna? Disse-lhe Jesus: Que está escrito na lei? Como é que lês? Respondeu ele: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu pensamento (Dt 6,5); e a teu próximo como a ti mesmo (Lv 19,18). Falou-lhe Jesus: Respondeste bem; faze isto e viverás.”

Esse amor ao próximo não é inspirado por critérios de simpatia ou afinidade, mas pelo exemplo do próprio Cristo, que nos amou quando ainda éramos pecadores:

  • Jo 13,34: ”Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros.”
  • Jo 14,12s: ”Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, como eu vos amo. Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que vos mando.”

O amor cristão não será amor sentimental ou cego. Será, antes do mais, amor à verdade, como nos lembram as palavras de São Paulo, em Ef 4,15: “Mas, pela prática sincera da caridade, cresçamos em todos os sentidos, naquele que é a cabeça, Cristo.”

Significa que o nosso amor deve saber distinguir a verdade e a mentira, o certo e o errado…, odiando sempre o erro e o pecado, mas amando a pessoa que erra ou peca. Menosprezar a verdade ou equipará-la ao erro é um desserviço do cristão a si mesmo e ao próximo.

Fonte:  VV.AA. Obediência e Salvação, Instituto Diocesano Missionário dos Servos da Igreja – Diocese de Rio Preto, SP, 1986.