Vejamos os primeiros cristãos: como procuravam viver e como suas vidas influenciavam os outros.

At 4,32-37: “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que eram suas as coisas que possuía, mas tudo entre eles era comum. Com grande coragem os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus. Em todos eles era grande a graça. Nem havia entre eles nenhum necessitado, porque todos os que possuíam terras e casas vendiam-nas, e traziam o preço do que tinham vendido e depositavam-no aos pés dos apóstolos. Repartia-se então a cada um deles conforme a sua necessidade. Assim José (a quem os apóstolos deram o sobrenome de Barnabé que quer dizer Filho da Consolação), levita natural de Chipre, possuía um campo. Vendeu-o e trouxe o valor dele e depositou aos pés dos apóstolos.”

O número dos cristãos aumentava rapidamente em todo o mundo mediterrâneo, uma das principais razões era o genuíno amor e cuidado de uns pelos outros e pelo próximo. Os cristãos e os vizinhos superavam melhor as pragas frequentes que dizimavam as cidades daquele mundo do que os que evitavam cuidar dos outros. A amizade das pessoas com Deus mudou o mundo conhecido daquele tempo. O que nosso mundo seria sem a influência de São Bento, sua irmã Escolástica e seus seguidores monásticos, ou sem a influência de São Francisco e Santa Clara de Assis.

Mas há pessoas que permanecem relativamente desconhecidas e mudam uma parte de nosso mundo por causa de sua proximidade com Deus. Considere, por exemplo: como a amizade com Jesus mudou a atitude de uma pessoa durante a recessão de 2008 nos Estados Unidos. Ele e a esposa tinham dois filhos pequenos. Uma noite ele não conseguiu dormir por causa da preocupação com que a recessão estava fazendo às economias da família para a educação das crianças e para a aposentadoria sua e da esposa. Rolando na cama e não encontrando alívio, finalmente começou a rezar, pronunciando o nome de Jesus. Aos poucos a paz desceu sobre ele, que adormeceu. No dia seguinte ele foi trabalhar como profissional assistente, com o coração tranquilo. Sua situação financeira não mudara, mas ele sim, e essa mudança influenciou seu modo de tratar a família, os colegas de trabalho e aqueles a quem ele servia.

Pense nos milhares de afro-americanos seguidores do reverendo Martin Luther King que prepararam o terreno para as mudanças radicais na maneira como os afro-americanos eram tratados nos Estados Unidos. Pela amizade com Jesus, eles foram motivados a enfrentar as leis racistas de um jeito não violento que transformou o país. Sua resolução provocou a conversão de muitos americanos brancos à causa dos direitos civis e chamou a atenção das pessoas em todo o mundo. Em 2008, o povo do Estados Unidos elegeu um afro-americano presidente, o que não poderia ter acontecido sem as ações corajosas anteriores daqueles cidadãos.

Em artigo na revista America, Barbara Kouba relata sua luta, aos dezessete anos, com uma doença rara no sangue que resultou na hospitalização em uma enfermaria com crianças que sofriam de doenças terríveis. Ela começou a odiar Deus, dizendo: “Não vou te amar, Deus. És um sadista monstruoso”. Depois que a medicação trouxe a cura, ela caiu em profunda depressão. Foi tratada com medicamentos, terapia de choque e psicoterapia, mas nada adiantava. Finalmente, acabou em um hospital psiquiátrico. Certa noite, pediu para ser trancada no ‘Quarto do Silêncio’, onde se aconchegou em um canto. Chegou até ela a mensagem: “Eu te amo. Tenho orgulho de ti”. Ela sabia que era Deus e respondeu: “Eu te odeio”. Deus disse: “Eu te amo porque me odeias”. Mas adiante na conversa, Deus disse: “Eu te amo e tenho orgulho de ti porque nunca acreditarias em alguém que julgasses ser cruel ou sadista. Quero que o sofrimento termine”. Quando a noite acabou, Kouba era outra pessoa, e em uma semana teve alta do hospital. Desde então, dedica a vida a ajudar os outros.

Talvez lhe venha à lembrança de alguém cuja “religião praticada” exerceu profundo impacto no mundo em que você vive. A amizade com Deus influencia este enorme mundo ferido. Em todo o mundo a vida de milhões de viciados mudou drasticamente pela crença vivida em Deus. Por causa da amizade com Deus e da confiança nele, vivem sobriamente e procuram ajudar os outros, em especial outros viciados; influenciam o mundo de maneira positiva. Ao seguir um programa de doze passos, procuram compensar o estrago que causaram quando estavam ‘insanos’.

Se a prática religiosa e a amizade com Deus não tivessem resultado positivo no mundo por meio de mudanças nas atitudes e comportamento dos fiéis, teríamos de dizer que foram esforços insignificantes e inúteis. A religião fica mal falada quando seus adeptos pioram o mundo em vez de melhorá-lo.

A amizade com Deus exerce influência ainda mais profunda porque transforma intimamente nossos corações. Isso acontece por meio do compromisso sincero com Deus e pela atenção aos movimentos em nosso íntimo, para discernirmos quais deles são consoantes com nossa amizade e quais não são. A dedicação a essa amizade vai nos mover em direção à maior maturidade do coração, e esse coração vai impulsionar nossas escolhas em direção ao que está mais em harmonia com o sonho divino para o mundo.

Nossas emoções dão sentido a nossas vidas e nos movem à ação. Corações harmonizados com o coração de Cristo pelo discernimento disciplinado mudam nossa maneira de agir em todas as situações.

Fonte: BARRY,W.A. Mudar o coração, transformar o mundo (2016)