A missa não terminou, pois, a Eucaristia nunca termina, destina-se a ser vivida; assim, vamos em paz para amar e servir ao Senhor e uns aos outros. Mas, infelizmente, nosso modo de pensar dualista é muito prejudicial, onde nos inclinamos a separar o que acontece no domingo daquilo que acontece no restante da semana. Se, a liturgia não influi no modo como levamos a vida, então não é liturgia. Onde a liturgia é celebrada, Deus está presente e ativo entre os participantes.

O sacerdote palestino Elias Chacour dá um exemplo perfeito de como a liturgia pode ser insignificante e depois ganhar a vida. Em 1996 como pastor no vilarejo de I’billin, Israel. Ele e a congregação haviam sofrido muito no conflito interminável entre israelenses e palestinos, o vilarejo estava dividido. Quando chegou, Padre Chacour, começou a pregar sem sucesso, sobre a importância da paz ecumênica no vilarejo.

Enquanto celebrava a Eucaristia no Domingo de Ramos, ele notou quando membros da congregação não estavam em paz uns com os outros e até recusaram a paz quando ele os abençoou com a paz de Cristo. Ao final da liturgia, ele deu o passo extraordinário de marchar até as portas da igreja. Fechou-as, trancou-as e tirou a chave. Depois de voltar para a frente da igreja, disse aos presentes que os amava, mas que o ódio e a mágoa que sentiam uns pelos outros o entristeciam:

Esta manhã, enquanto celebrava a liturgia, descobri alguém que pode ajudá-los… Essa pessoa que pode reconciliá-los é Jesus Cristo e ele está aqui conosco. Estamos reunidos em seu nome, em nome deste homem que entrou em triunfo em Jerusalém com hosanas soando-lhes nos ouvidos.

As portas da igreja estão trancadas. Ou vocês se matam de ódio uns aos outros bem aqui, e então celebrarei seus funerais gratuitamente, ou aproveitem a oportunidade para se reconciliar antes que eu abra as portas da Igreja. Se essa reconciliação acontecer, Cristo se tornará verdadeiramente seu Senhor e saberei que estou me tornando seu pastor e seu sacerdote. Agora a decisão é sua.

Depois de dez minutos do que deve ter sido um silêncio perturbador e doloroso, o morador que trabalhava na polícia israelense levantou-se e pediu perdão de todos os presentes e perdoou a todos. Então pediu perdão a Deus e, com lágrimas escorrendo pelo rosto, abraçou Padre Chacour, que imediatamente pediu a todos que se abraçassem.

“Lágrimas e risadas se misturavam enquanto os que haviam dito palavras ofensivas uns aos outros ou que não falavam uns com os outros fazia muitos anos partilhavam agora o amor e a paz de Cristo”. Ao final, incentivou às pessoas a saírem por todo o vilarejo levando a todos a alegria da ressurreição de Jesus juntamente com seu perdão e reconciliação.

Como a verdadeira oração pessoal, a liturgia não é um esporte de grande apelo popular; ela nos muda e, o resultado, influi no mundo por meio de nossas personalidades mudadas. A amizade com Deus, se for real, terá um efeito real e para melhor.

Fonte: BARRY,W.A. Mudar o coração, transformar o mundo (2016)