TÍTULO E GÊNERO LITERÁRIO

  1. Vem de “Acta Apostolorum” (latim) ou “Práxeis Apostolòn” (grego) – Livro Séc. II
  2. Não é relato de atividade dos Apóstolos, mas como se fosse uma monografia histórica que descreve o desenvolvimento do Cristianismo em conexão com os trabalhos de Pedro e Paulo.
  3. Narra o estabelecimento da nova Igreja e a propagação inicial do Evangelho após a Ascensão, pois sob o impulso do Espírito Santo, manifesta o projeto salvador de Deus.
  4. Relatam os começos da Igreja, com o fim de consolidar a fé dos cristãos, que deviam se sentir seguros da sua origem e fundamento. Uma extraordinária alegria espiritual penetra o conjunto da narração (Alegria que vem do Espírito Santo).

ARGUMENTO E DIVISÃO

  1. O livro descreve o cumprimento das palavras de Jesus dirigidas aos discípulos antes da Sua Ascensão: “Sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra” (At 1,8).
  2. Relatam os acontecimentos que se estendem ao longo de uns 30 anos: desde a Morte, Ressurreição e Ascensão do Senhor até o fim da prisão de Paulo em Roma, pelo ano 63.
  3. A Assembleia de Jerusalém constitui o centro teológico do livro, para que entendamos o desejo de Deus, o caráter católico da Igreja e a primazia da graça sobre a Lei mosaica e para impulsionar a difusão universal do Evangelho.
  4. O livro pode ser dividido assim:
    • 1-7: Vida primitiva da comunidade de Jerusalém;
    • 8-12: Dispersão dos cristãos, por causa da perseguição e pregam o Evangelho pela Judeia, Samaria, Síria;
    • 13-20: Centra-se na missão de Paulo;
    • 21-28: Começa em Jerusalém o cativeiro de Paulo.

AUTOR E DATA DE COMPOSIÇÃO

  1. A tradição cristã e quase totalidade dos comentadores atribuem os escritos a São Lucas, companheiro de São Paulo na segunda viagem e seu fiel colaborador.
  2. O livro foi escrito por volta dos anos 70, ou seja, após a prisão de Paulo, entre os anos 62 ou 63, e antes da destruição do Templo de Jerusalém (70).
  3. Outros autores chegam a mesma conclusão, a partir do silêncio do livro sobre os martírios de Tiago, irmão do Senhor, e de Pedro, vítima da perseguição de Nero.

VALOR HISTÓRICO

  1. O ceticismo sobre o valor histórico expresso por autores não católicos, deriva de preconceitos teológicos, devido ao livro narrar com frequência alguns fatos sobrenaturais; achavam que o autor estava interessado em defender Paulo.
  2. O Atos dos Apóstolos oferece uma rica veracidade, devido aos pontos de contato com a história, a cultura, a topografia judaica, gregas ou romanas da época. Os ambientes da época impregnam as páginas da obra. O leitor anda pelas ruas, mercados, teatros e assembleias de Éfeso, Tessalônica, Corinto o Filipos no primeiro século da era cristã.
  3. Os acontecimentos narrados nos Atos recomendam e permitem uma comparação com as Cartas de São Paulo, confirmando a historicidade do livro de São Lucas. Por exemplo com paralelismos:
    • Paulo como perseguidor da Igreja: At 8,3; 9,1 – Gl 1,13; 1Cor 15,9;
    • Conversão de Paulo: At 9,3 – Gl 1,17;
    • Primeira visita a Jerusalém: At 9,23-27 – Gl 1,18;
    • Envio de Paulo a Tarso: At 9,30 – Gl 1,21;
    • O itinerário Filipos-Tessalônica-Atenas-Corinto-Éfeso-Macedônia-Acaia: At 16-19 – 1Ts 2,2; 3,1; 1Cor 2,1; 16,5-9; 2Cor 12,14ss; Rm 16,1.23.
    • Só pelas cartas sabemos que Paulo era da Tribo de Benjamin (Rm 11,1; Fl 3,5). Mas só em Atos informa que seu nome judaico era Saulo (At 7,58; 9,1; 13,9).
  4. Outra fonte que ilumina de maneira extraordinária a narração de Lucas são as Antiguidades Judaicas de Flávio Josefo, escritas cerca de vinte anos depois dos Atos.
  5. Os discursos do livro, especialmente os mais importantes, pronunciados por Pedro (At 2,14ss; 3,12ss; 10,34ss; 11,5ss), Estevão (At 7,1ss) e Paulo (At 13,16ss; 17,22ss; 20,18ss; 22,1ss; 24,10ss; 26,2ss).
  6. Tal grau de credibilidade histórica reforça o valor do Atos como testemunho verídico da fé da primitiva Igreja cristã, regida pelos Apóstolos e guiada a cada passo pela força invisível e muitas vezes visível do Espírito Santo.

FONTES

  1. Segundo escritores helenistas e judeus, São Lucas usou fontes escritas na composição de sua obra. Não foi testemunha ocular de tudo o que relata e não se contentou, sem dúvida, com simples informações orais.
  2. A grande unidade do livro não nos permite, porém, reconstruir ou determinar, com um mínimo de precisão, as fontes que ajudaram a compô-lo. Também não se pode afirmar com certeza se Lucas utilizou plenamente as suas fontes. O certo é que conseguiu imprimir uma magnifica unidade a toda a sua obra, transparente em todos os momentos à marca sobrenatural do Espírito de Deus.

CONTEÚDO DOUTRINAL

  1. A leitura dos Atos dos Apóstolos nos situa, com profundidade e simplicidade, diante do conjunto da fé cristã. Veremos, as principais verdades cristãs, bem como o mais importante da incipiente vida sacramental e litúrgica da Igreja nascente. Alguns aspectos da organização eclesiástica e atitudes dos cristãos perante a vida social e política de seu tempo.
  2. A Doutrina dos Atos dos Apóstolos, será destaque para:

a) CRISTOLOGIA: Pois apoia-se em Jesus Cristo dos sinóticos, na sua vida terrena e exaltação, que são núcleo do anúncio evangélico. Sublinham os aspectos do mistério Pascal e o cumprimento do plano de Deus já propostos nas profecias do AT;

b) PNEUMATOLOGIA: Importância e função determinante do Espírito Santo em toda a vida da Igreja, que procede do Pai e do Filho, e é fonte de alegria e vibração espiritual. O mesmo Espírito Santo guia a Igreja, anima e protege. Esta obra poderia ser denominada o Evangelho do Espírito Santo;

c) ECLESIOLOGIA: Aqui se conhece a Igreja nos primeiros trinta anos da história. A Igreja é apresentada como instrumento de Deus para cumprimento das promessas do AT. A Igreja transborda a presença do Ressuscitado, que se torna real na ‘fração do pão’. A vida dos cristãos, centrada na oração, na Eucaristia e na doutrina dos Apóstolos, passa a ser modelo para as futuras gerações.

DOCUMENTO 105 DA CNBB

1 – O laicato como um todo é um ‘verdadeiro SUJEITO eclesial’, para atuar na Igreja e no mundo.

2 – Corresponsáveis pela NOVA EVANGELIZAÇÃO, tanto na Igreja como no mundo, neste tempo marcado por uma MUDANÇA DE ÉPOCA.

3 – Realidade eclesial, pastoral e social: requer forte apelo para uma avaliação: a) abrir espaço de participação; b) estimular a missão; c) refletir sobre avanços e retrocessos; d) fazer crescer a participação e o protagonismo dos leigos na corresponsabilidade e na comunhão;

4 – Leigo, qual a missão de testemunho, da santidade e da ação transformadora vocês exercem no mundo e na Igreja?

5 – A vocação dos leigos é administrar e ordenar as coisas temporais, em busca do Reino de Deus.