O que adorais sem o conhecer, eu vo-lo anuncio!” (At 17,23)

Somos como Paulo diante do Areópago de Atenas. Dizemos aquilo que acreditamos diante daqueles que não acreditam e que nos escutam. Porém, algo performativo acontece, pois, Paulo repleto do Espírito de Deus usa uma linguagem adaptada e compreensível para aquele ambiente.

Da mesma forma, diante dos areópagos modernos, não devemos buscar uma conquista espiritual, pois, nada estamos disputando. Devemos, sim, dar maior atenção a realidade das pessoas que nos cercam, que não têm Jesus como referência. A este povo, que deve ser alcançado pela Boa-Nova do Evangelho, acaba sendo um desafio para nós leigos, pois somos os primeiros a ser interpelados, devido a cultura, fenômenos sociais, a que chamamos de “sinais dos tempos”.

Não somos uma ilha separada do mundo, estamos no mundo, daí a necessidade do diálogo. Vemos um povo secularizado que nos busca, com necessidade do sagrado. Como não acolher? Nesse percurso, também nos deparamos com o ateísmo, mas o que mais preocupa é a indiferença. Então, a necessidade de um olhar contemplativo sobre a cena de At 17,23, onde precisamos ser novos Paulos e dizer aquilo que acreditamos, diante dos que não acreditam, mas nos escutam.

Por sermos seres históricos, devemos agir na sociedade com saber dialogal com aqueles que nos cercam e com ações na busca da justiça e solidariedade, não impondo um Deus, uma Palavra, uma transcendência, mas algo existencial, como: a vida, o amor, a morte etc…

Nestes tempos de indiferença, passa a ser um problema afirmar que a Igreja possui a verdade, acaba sendo pouco aceitável esta afirmação, pois, na cultura em que vivemos, cada um a seu modo é dono da verdade. Mas, como cristãos, sabemos que a Verdade nos precede na pessoa de Jesus Cristo, onde a liberdade é orientada, nem que se limite no sentido de compreender a liberdade do próximo.

Constatamos em nossa sociedade, um excesso de racionalismo, mas ao mesmo tempo nos deparamos com irracionalidades e sentimentalismos. Por isso, importante, ao cristão leigo de hoje, ser capaz de discernir e unificar Fé e Razão, sempre na busca de diálogos interiores, em momentos de oração, sabendo que somos minoria, mas que nossa presença em alguns ambientes acaba sendo provocadora, sendo sinal de contradição, onde devemos realizar um trabalho essencial e difícil: a busca da verdade, do bem, reconhecer o que é falso, o que é mal etc…

Enfim, buscar no ‘sacramento da Eucaristia’, a força, que tem o poder social de transformar o ser humano e a coragem profética de não nos deixar inativos perante a globalização, que promove a distância entre ricos e pobres e que dilapida a natureza; não se calar frente as injustiças, que fazem milhares de pessoas a viverem em condições precárias e de indigência.

Podemos concluir com as palavras do Papa Francisco, proferida na manhã de 21 de outubro, no Vaticano, por ocasião dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida: “Ante a escandalosa corrupção e os enormes problemas sociais, o Brasil precisa que seus padres e leigos sejam sinal de esperança”.

Vamos esperançar!

Fonte: Documento 105 da CNBB, 250-254