NOVA PRISÃO DOS APÓSTOLOS E LIBERTAÇÃO MIRACULOSA (5,17-25)

17-25: “17Levantaram-se então os sumos sacerdotes e seus partidários (isto é, a seita dos saduceus) cheios de inveja, 18e deitaram as mãos nos apóstolos e meteram-nos na cadeia pública. 19Mas um anjo do Senhor abriu de noite as portas do cárcere e, conduzindo-os para fora, disse-lhes: 20Ide e apresentai-vos no templo e pregai ao povo as palavras desta vida. 21Obedecendo a essa ordem, eles entraram ao amanhecer, no templo, e puseram-se a ensinar. Enquanto isso, o sumo sacerdote e os seus partidários reuniram-se e convocaram o Grande Conselho e todos os anciãos de Israel, e mandaram trazer os apóstolos do cárcere. 22Dirigiram-se para lá os guardas, mas ao abrirem o cárcere, não os encontraram, e voltaram a informar: 23Achamos o cárcere fechado com toda segurança e os guardas de pé diante das portas, e, no entanto, abrindo-as, não achamos ninguém lá dentro. 24A essa notícia, os sumos sacerdotes e o chefe do templo ficaram perplexos e indagaram entre si sobre o que significava isso. 25Mas, nesse momento, alguém lhes transmitiu esta notícia: Aqueles homens que metestes no cárcere estão no templo ensinando o povo!”

O sumo sacerdote daquele tempo era Anás, e toda a sua comitiva era da seita dos saduceus. Aqui na prisão dos Apóstolos, estão as mesmas autoridades religiosas do processo da condenação de Jesus, que eram responsáveis pela pureza dos ritos e pelo rigor da Lei de Moisés.

No texto, é explicitado o ‘ódio ao diferente’, que sempre é um ódio gratuito (cf, Jo 15,25). Pois, na tentativa de apagar a seita de Jesus, levando-o à morte, não suscitou o efeito desejado pelas autoridades do Templo. Eles acreditavam na profecia de Zacarias (Zc 13,7; Mt 26,31) que dizia que uma vez morto o pastor, o rebanho se dispersaria. Mas, o Pastor foi crucificado, mas ressuscitou. Então, se combater o Pastor era difícil, mais complicado seria conter a difusão de sua obra, pela pregação de centenas de discípulos.

O sumo sacerdote, manda prender o grupo dos apóstolos, mas essa prisão vai surtir um efeito contrário. Um anjo do Senhor abre as portas da cadeia à noite. Que tipo de figura é esse anjo? – será que não foi a ação de Deus através de um carcereiro convertido. Os Anjos aparecem na Sagrada Escritura como mensageiros de Deus e também como mediadores, protetores e ministros da justiça divina, como outrora aparecera no AT a Abraão, Tobias, Lot e a família, Daniel e companheiros, Judite etc…

Ao contemplar o texto, experimentamos o rigor da Lei e a ira contra Jesus e seus discípulos e hoje neste mundo globalizado, que tem por base um sistema social, tecnológico, jurídico, econômico e financeiro que dá suporte, em escala mundial, à produção, comércio e consumo de bens, trazendo facilidades e satisfações e permitindo maior acesso às necessidades básicas, mas também trazem bem-estar ilusório e faz com que as pessoas se iludam com as felicidades momentâneas. Basta, um olhar sobre os noticiários para podermos entender que a visão cristã deste mundo, contém muitos déficits em relação aos direitos comuns das pessoas e dos povos. (Doc. 105 nº 68-70)

Precisamos hoje que um anjo do Senhor, que tanto tocou os corações de personagens do AT, como no texto citado, que abriu as portas do cárcere, que venha sobre nós para dar esperança aos que sofrem.