OS APÓSTOLOS PERANTE O SINÉDRIO (5,26-33)

26-33: “26Foi então o comandante do templo com seus guardas e trouxe-os sem violência, porque temiam ser apedrejados pelo povo. 27Trouxeram-nos e os introduziram no Grande Conselho, onde o sumo sacerdote os interrogou, dizendo: 28Expressamente vos ordenamos que não ensinásseis nesse nome. Não obstante isso, tendes enchido Jerusalém de vossa doutrina! Quereis fazer recair sobre nós o sangue deste homem! 29Pedro e os apóstolos replicaram: Importa obedecer antes a Deus do que aos homens. 30O Deus de nossos pais ressuscitou Jesus, que vós matastes, suspendendo-o num madeiro. 31Deus elevou-o pela mão direita como Príncipe e Salvador, a fim de dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados. 32Deste fato nós somos testemunhas, nós e o Espírito Santo, que Deus deu a todos aqueles que lhe obedecem. 33Ao ouvirem essas palavras, enfureceram-se e resolveram matá-los.”

A resistência dos Apóstolos a obedecer aos mandamentos do Sinédrio não se deve, a orgulho, nem a desconhecer a própria situação de súditos. Deriva de que lhes querem impor um mandato injusto que atenta contra a lei de Deus e a consciência deles. Os Apóstolos recordam aos seus juízes, com coragem humilde, que a obediência a Deus está primeira. Sabem, que muitos sinedritas são homens religiosos, bons judeus e capazes de compreenderem.

“Suspendendo-o num madeiro”: A expressão evoca Dt 21,23: Não deixarás que o cadáver (de um homem justiçado) passa a noite na árvore; deve ser enterrado no mesmo dia, porque um homem suspenso em um madeiro é uma maldição de Deus”. A crucifixão, era a pena capital, teve origem na Pérsia, muito utilizado no oriente e adotado, mais tarde, pelos romanos.

Deus envia o Espírito Santo aos que lhe obedecem, e por sua vez os Apóstolos obedecem com total docilidade às indicações do Espírito.

No exemplo dos Apóstolos, e na lógica individualista do mundo globalizado em que hoje estamos inseridos, onde: 1) Se o cristão que não tem consciência de ser sujeito corre o risco da alienação, da acomodação e da indiferença; 2) onde, a alma do mercado, entra na alma humana; 3) onde, o modo de produzir e consumir se torna costume e norma, a partir de uma lógica individualista; 4) onde, a globalização é um sistema em expansão, onde todos querem ser incluídos, nem que seja para viver parte de seus benefícios. (Doc.105, 71-74)

Sobre a globalização, Guido Rossi (†21/08/2017), intelectual, jurista, administrador, escritor, em um, dos artigos para o jornal italiano Il Manifesto, citou o retorno a Hobbes (matemático, teórico político e filósofo inglês,†1679) onde o Estado, o Leviatã, nada mais é do que uma máquina para dar medo, e o medo é a única coisa que motiva a obediência à lei,

A verdade é muitas vezes manipulada em nome da segurança, segundo Carl Schmitt (jurista e filósofo alemão, †1985), diz que este princípio era um dos fundamentos do estado nazista. Hoje temos o caso de Guantánamo, e do terrorismo, mas que lamentavelmente atinge aqueles que não são capazes de se defender: dos menores aos imigrantes, a todos os diferentes que as sociedades atuais tendem a excluir cada vez mais. Obviamente, a globalização tornou o destino dos menores mais precário, porque a violência sempre é descarregada sobre os mais fracos.

Ousemos imitar a resistência dos Apóstolos!