INTERVENÇÃO DE GAMALIEL (5,34-39)

34-39: “34Levantou-se, porém, um membro do Grande Conselho. Era Gamaliel, um fariseu, doutor da lei, respeitado por todo o povo. 35Mandou que se retirassem aqueles homens por um momento, e então lhes disse: Homens de Israel, considerai bem o que ides fazer com estes homens. 36Faz algum tempo apareceu um certo Teudas, que se considerava um grande homem. A ele se associaram cerca de quatrocentos homens: foi morto e todos os seus partidários foram dispersados e reduzidos a nada. 37Depois deste, levantou-se Judas, o galileu, nos dias do recenseamento, e arrastou o povo consigo, mas também ele pereceu e todos quantos o seguiam foram dispersados. 38Agora, pois, eu vos aconselho: não vos metais com estes homens. Deixai-os! Se o seu projeto ou a sua obra provém de homens, por si mesma se destruirá; 39mas se provier de Deus, não podereis desfazê-la. Vós vos arriscaríeis a entrar em luta contra o próprio Deus. Aceitaram o seu conselho.”

Gamaliel tinha sido mestre de São Paulo (At 22,3). Representava uma tendência moderada dentro da seita farisaica. Era homem prudente, capaz de imparcialidade e dotado de reconhecido sentido religioso. Vemos aqui, que o anúncio cristão é tão grandioso que consegue inclusivamente o testemunho de seus adversários. Este comentário, parece ter em conta as palavras do Senhor: “Quem não é contra nós é por nós” (Mc 9,40).

As insurreições de Teudas e Judas são recolhidas por Flávio Josefo (historiador), que viveram a época do nascimento de Jesus. Ambos, tiveram grande número de adeptos, que lutaram para que o povo judaico, escolhido por Deus, não tivesse de estar submetido e de pagar tributo a gentes estrangeiras, como Herodes e o Império romano.

Como no tempo dos Apóstolos, hoje, neste mundo globalizado, temos muitos modos de contradições, como entre: a) Desenvolvimento x pobreza; b) confiança no mercado e crises constantes; c) enriquecimento de uns x degradação ambiental; d) bem-estar de uns x exclusão da maioria; e) busca de riqueza x corrupção e tráfico; f) grupos sociais privilegiados x bolsões de pobreza e miséria; g) redes sociais virtuais x indiferença real. É preciso dizer um não a tudo isso, pois acaba sendo uma busca desigual e ilusória para ambos. (Conf. Doc. 105, nº 75-76)

“O mundo urbano precisa ser reimaginado e refeito”, defende David Harvey (intelectual britânico, geógrafo e teórico marxista). Para o professor, o projeto neoliberal de concentração da riqueza e poder está mudando a forma de nossas cidades, tornando-as cidades para investir, não em cidades para viver. O professor, no entanto, não deixa de ter esperanças: “Se nosso mundo urbano foi imaginado e feito então ele pode reimaginado e refeito”, disse. (Em entrevista a Contexto Y Acción, em 24/01/2018 em cnbb.net.br).

Segundo o autor, todos temos que empregar nossas habilidades para conseguir um processo revolucionário que nos distancie dessa loucura do capitalismo contemporâneo, para criar uma sociedade sensata, na qual cada um de nós tenha uma vida decente, condições de vida decentes e conceitos razoáveis sobre um futuro decente. (Em entrevista a Contexto Y Acción, em 24/01/2018 em cnbb.net.br).