Sempre consideramos o adulto alguém que chegou à maturidade, conhecedor de seus direitos e deveres, atuando com responsabilidade, como se isso fosse natural a partir da idade adulta. Mas, a maturidade é uma situação dinâmica de contínua evolução. A vida inteira é um processo de crescimento.

O desenvolvimento de um adulto não se dá necessariamente segundo as fases “psicológicas” de amadurecimento da pessoa. É necessário considerar também as circunstâncias e acontecimentos concretos da vida. Seu amadurecimento será diferente conforme a situação econômica: pobreza ou bem-estar, emprego ou desemprego. Muito dependerá da vida familiar que o sujeito teve, ambiente afetivo ou não, presença ou ausência dos pais. Os acontecimentos pesam muito no desenvolvimento da pessoa, os êxitos ou frustrações, os traumas, rejeições etc. Não é possível classificar as pessoas em categorias rígidas. Cada etapa tem seus desafios.

Nesse sentido é através das experiências da vida, através de uma contínua aprendizagem, que o adulto desenvolverá sua criatividade, sua autonomia pessoal, assumirá os compromissos e participará responsavelmente na construção da comunidade e da sociedade. O adulto conserva sempre sua capacidade de “aprender”, de abrir os horizontes dos seus pensamentos, de pensar de um modo crítico e responsável, de ser criativo.

A faixa da maturidade

O adulto que se encontra nessa faixa de maturidade tem maior senso de responsabilidade e capacidade de estar em relação com pessoas além do círculo reduzido da família e dos amigos. As pessoas sentem-se mais responsáveis pelas gerações futuras e pelo mundo no qual estas terão de viver.

Do ponto de vista religioso, ocorre, muitas vezes, o retorno à prática religiosa e ao engajamento pastoral. É uma idade de grandes recursos educativos e pastorais. Ao se referir ao aspecto da fé, as mudanças em nível religioso podem causar crises de fé e de identidade cristã. O adulto torna-se inseguro. Não sabe responder satisfatoriamente a perguntas fundamentais da sua fé. Sente o abismo entre as gerações, dificuldade de dialogar com os filhos, de orientá-los neste mundo em constante mudança.

Em tudo isto fica claro a importância da formação cristã dos adultos. Mesmo aqueles adultos que tiveram uma boa formação religiosa na sua infância e juventude vão sentir a necessidade de uma atualização a fim de poderem justificar seu ser cristão. Constantemente, há novas descobertas, novos questionamentos que influenciam na vida de fé e de vivência cristã. Os meios de comunicação obrigam a assumir certas posições e colocam o cristão diante de perguntas sérias. Daí a necessidade de um bom trabalho com os adultos em todas as fases da sua vida. Eles têm algo para aprender, mas também muito para dar.

Temas significantes são: superação da crise da meia-idade, reencontro do sentido da vida, leitura cristã da vida, vivência de compromisso…

Quem poderá negar a necessidade da formação cristã dos adultos?

Quando falamos de “catequese com adultos”, isto pode soar como algo de iniciação. Mas a “catequese permanente” é necessária para todos. Quem não se coloca a par das mudanças do nosso mundo cultural e religioso ficará estagnado, com ideias ultrapassadas, que impedem um diálogo com o mundo contemporâneo: com os jovens, os operários, os intelectuais, como também com os pobres e marginalizados. Os adultos devem sair do seu infantilismo religioso e conhecer seu papel transformador dentro e fora da Igreja.

Os adultos devem ser motivados a procurar uma melhor formação. E, uma vez motivados, precisam encontrar agentes capacitados que possam ajudar na sua caminhada.

É a partir do diálogo, da escuta, que se pode desenvolver uma boa catequese. Isto exige dos (as) agentes um bom preparo. Eles são os primeiros a precisar de uma boa formação.

Exige-se também da própria Igreja uma mentalidade de abertura e diálogo com o homem moderno, que é crítico e, justamente por isso, muitas vezes, afastado da Igreja.

A catequese encontra aqui seu campo mais característico e rico de atuação: formação de fiéis maduros, engajados na comunidade.

por Neuza Silveira de Souza – Teóloga leiga, com especialização em teologia pastoral voltada para a catequese. Atualmente, coordena da Comissão Arquidiocesana Bíblico-Catequética da Arquidiocese de Belo Horizonte.

O canto do Pássaro

Os alunos estavam cheios de perguntas

A respeito de Deus.

O Mestre, então, lhes diz: “Deus é o Desconhecido,

Deus é o Incognoscível. Quanto dele se diga,

toda e qualquer resposta a estas suas perguntas

é apenas distorção do que é a Verdade”.

Admirados os discípulos disseram:

“Então por que nos falas deles?”

E o Mestre lhes responde:

“Vocês sabem dizer porque o pássaro canta?”

Um pássaro não canta porque tem algo a dizer. Ele canta porque traz uma melodia na garganta.

As palavras do Mestre não são para serem compreendidas. Elas são para serem ouvidas com atenção meditativa, do mesmo modo como alguém escuta o vento nas árvores, o marulhar de um riacho e o canto de um pássaro. Elas despertarão dentro do coração algo que sobre passa qualquer conhecimento.

Pe. Antonny de Mello,SJ