Oração é um diálogo de cada um de nós com Deus

Para um bom diálogo, é imprescindível saber falar e saber ouvir. Quando se trata de dialogar com Deus, sentimos mais dificuldade, principalmente em ouvir o que Deus deseja de nós ou o que tem a nos dizer. Isto é, em parte, devido ao nosso sistema de vida muito agitado, imediatista e materialista. Mas, sempre é tempo de iniciar ou aperfeiçoar, cada vez mais, o hábito de orar.

Na catequese aprende-se a falar com Deus

Precisamos criar em nossas vidas uma atitude de oração. Rezar não é começar simplesmente com um “Pai Nosso”, rezado automaticamente (às vezes, até para conseguir o silêncio do grupo!).

Deve-se dedicar tempo à oração e introduzir as pessoas nas diversas formas de oração.

Seguem algumas sugestões:

– Exercício de silêncio:

Vamos nos colocar numa posição confortável. Se possível, coloque uma música suave, ou sons da natureza, para relaxar as tensões. Com voz tranqüila, vá falando:

“Procurem não pensar em nada, apenas sentir. “Entrem em seu quarto”…(cf Mt 6,6) voltem para dentro de si mesmos. Como estão se sentindo? (agitados… calmos… alegres…tristes… preocupados… inseguros… confiantes… Por quê?

Fiquem na presença de Deus, Pai Amoroso e misericordioso. Não falem mentalmente, nem pensem em nada de modo especial. Só fiquem na presença de Deus por alguns minutos.

Devagarinho, vamos abrir os olhos e perceber como estão se sentindo. Se quiserem, façam a partilha em clima de tranqüilidade e respeito.

– Leitura meditada

Escolha um trecho do Evangelho (Mt 28,16-20). Pode ser também a letra de uma música, religiosa ou popular, uma poesia, crônica etc., mas que tenha uma boa mensagem para a vida e que não seja longa. Convide os catequizandos a lerem silenciosamente e com muita atenção. Se houver alguma palavra ou frase que chamou a atenção, parem aí, repitam-na algumas vezes e pensem: o que ela tem a ver com minha vida? Por quê? Em seguida, faça a partilha das experiências.

No seguimento de Jesus vivemos em estado de constante ascensão. Ascendemos na medida em que “descemos” e nos fazemos presentes na realidade cotidiana, através do serviço, do compromisso. O Ressuscitado nos espera na vida cotidiana (nossa Galileia) quando vivemos a partir do amor e da doação.

– Contemplação

Contemplar quer dizer: olhar com atenção. Façam um exercício de silenciamento. Distribua gravuras ou postais com paisagens ou cenas do quotidiano. Deixem que os catequizados os contemplem por um determinado tempo.

No momento da partilha, ajude com perguntas para despertar a atenção.

– Rezar com a natureza

Podemos contemplar a natureza. Olhar o céu. Como está? Vai chover? Por quê?

Podemos observar a chuva, ou o canto e a cor dos pássaros. Podemos levar folhas e galhos de plantas, secos ou não, distribuí-los para que cada um possa perceber os detalhes, o cheiro, a textura, a forma etc.

Orientemos os catequizandos para as descobertas.  Podemos também ajudar cada um a fazer suas orações espontâneas de louvor e agradecimento pelas belezas da natureza.

– A partir dos fatos da vida

É bom que os catequizandos desenvolvam a atenção e a sensibilidade para com os fatos do quotidiano e as necessidades dos outros. É tarefa da Catequese despertar para isto e, a partir da descoberta, expressar em orações o que sentem diante da realidade da vida. É um modo de ouvir o que Deus tem a dizer.

Estas são apenas algumas sugestões. Bem conduzidas, podem ajudar a desenvolver a atenção, o autoconhecimento, a sensibilidade para perceber também o invisível, porém, perceptível. Levam a uma intimidade com o Pai, o Deus da vida. Tudo isto contribui para um melhor relacionamento da pessoa consigo mesmo, com Deus, com os outros e com a natureza.

– Orações populares

Não podemos desprezar as orações populares: as novenas, as fórmulas feitas e repetitivas, a reza do terço etc. Todas têm seu valor de tradição e alimentam a fé e a esperança de muitas pessoas.

A oração é uma comunicação muito íntima e peculiar. Quando adquirimos esta consciência, constatamos que ela faz parte do nosso dia-a-dia. Todas as nossas atitudes e atividades se transformam em oração desde que sejam manifestações de amor, fazendo da vida uma permanente oração.

Para refletir e rezar

Terminemos com a oração que está em Mt 6, 9-13

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