SIMÃO MAGO (8,9-13)

9-13: “9Ora, havia ali um homem, por nome Simão, que exercia magia na cidade, maravilhando o povo de Samaria, e fazia-se passar por um grande personagem. 10Todos lhe davam ouvidos, do menor até o maior, comentando: Este homem é o poder de Deus, chamado o Grande. 11Eles o atendiam, porque por muito tempo os havia deslumbrado com as suas artes mágicas. 12Mas, depois que acreditaram em Filipe, que lhes anunciava o Reino de Deus e o nome de Jesus Cristo, homens e mulheres pediam o batismo. 13Simão também acreditou e foi batizado. Ele não abandonava Filipe, admirando, estupefato, os grandes milagres e prodígios que eram feitos.”

Simão, o mago, é um impostor que trafica com o pretenso poder espiritual que possui para obter um lucro material da credulidade e superstição dos seus ouvintes. São Lucas aproveita o episódio de Simão para mostrar a diferença entre os milagres genuínos operados pelos Apóstolos em nome e com poder de Jesus Cristo e os prodígios reais ou fingidos de um impostor; o mago que busca o dinheiro e os Apóstolos pobres que enriquecem muitos com o Espírito. Desta forma, a magia, intento de dominar forças ocultas, e a superstição, que busca efeitos sobrenaturais com meios inadequados, são manifestações de uma religião desfigurada ou corrompida.

(10) O Poder de Deus, chamado o Grande. Frase que comporta duas interpretações: a) os Samaritanos dariam o apelido de ‘o grande’, devido ao poder divino, que consideravam maior; b) grande vem de uma transcrição do aramaico para o grego Megálê, que significa “Reveladora”. Em qualquer caso, Simão Mago atribuía-se esse poder divino.

O Papa Francisco, em 2014, na Igreja Santa Marta, nos diz: [“Aproveitadores, nós os conhecemos bem. Existem desde o princípio. Pensemos em Simão o Mago, em Ananias e em Safira, que se aproveitavam da Igreja para seus interesses próprios. Nós os vimos em comunidades paroquiais, dioceses, congregações religiosas, em benfeitores da Igreja… são muitos! Vangloriam-se de serem benfeitores, mas por trás da mesa, fazem seus negócios. Eles também não sentem a Igreja como mãe, como sua. Jesus disse: ‘Não, a Igreja não é rígida, uma ou única: a Igreja é livre!’”.

Na Igreja – refletiu Francisco – “existem muitos carismas, há uma grande diversidade de pessoas e dons do Espírito!”. E recordou que o Senhor nos diz: “Se quiser entrar na Igreja, que seja por amor”, para dar “todo o coração e não para fazer lucrar com seus negócios”. A Igreja – reafirmou Francisco – “não é uma casa para se alugar”; a Igreja “é uma casa onde se vive, como uma mãe”].