“O mundo está sedento / de paz e unidade”
(Hino das Congregações Marianas)

Tomo a ousadia de começar com uma citação do Papa Francisco, em 2015, por ocasião do Sínodo das Famílias, onde nos diz: “Jesus ‘aprendeu a história humana’ na família de Nazaré e, quando começou sua vida pública, ‘formou ao seu redor uma comunidade, uma assembleia’, uma ‘família hospitaleira’, não uma ‘seita exclusiva, fechada’, na qual encontraram lugar Pedro e João, mas também o faminto e o sedento, o estrangeiro e o perseguido, a pecadora e o publicano, os fariseus e as multidões”.

Os sedentos de paz, os sedentos de unidade, os sedentos de amor… verdade, justiça, misericórdia, estão no mundo em que vivemos e, experimentamos diariamente tal prática, devemos então, ser porta-vozes do Evangelho, pois como congregados, somos discípulos missionários do Reino.

Ao buscar o fortalecimento à minha missão de congregado mariano, vejo na Regra de Vida o que nos propõe a nota 12.a.3: “A prática anual do Retiro Espiritual segundo o método proposto pelos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola”. Nota esta, amparada pela Constituição Apostólica Bis Saeculari Die do Papa Pio XII, em seu nº 4, nos convidando a uma atualização para que produzamos mais frutos, e que através de tal prática possamos ser capazes de crescer em santidade e graça.

Os Exercícios Espirituais (EE) de Santo Inácio de Loyola, conforme nos diz o Pe. Spencer,SJ, 1994, é um “manual de estudos”, onde a experiência de discernimento espiritual, que marcará a vida de Inácio e os EE, serão os mistérios da vida de Cristo. Assim, entende que os EE possuem um valor universal e que o torna legítimo propor a outros.

Rezamos diariamente na oração do Pai Nosso: “… seja feita a Vossa Vontade”. Não deverá ser a minha “vontade” que deve prevalecer, mas a de Deus, que é algo que se pode “sentir”, isto é, perceber por meio de uma experiência interior.

Depois, Pe. Spencer, citando o Pe Antoncich, também jesuíta, em 1994, nos diz: no EE, há de se ter um engajamento para “vencer a si mesmo” (EE 21), superando quanto possível os obstáculos interiores, que são as “afeições desordenadas”, que nos impedem de escutar os apelos de Deus. E que, devemos nos organizar mediante o seguinte esquema:

  1. Dispor a alma – para abandonar as afeições desordenadas;
  2. Encontrar a vontade de Deus – para ordenar a vida;
  3. Servir a Deus – para salvar a alma.

Os EE são uma escola de amor e, ao mesmo tempo, uma escola de oração. Onde o Princípio e Fundamento e a Primeira Semana centram-se na meditação e reflexão. Da Segunda Semana em diante, dá-se preferência à contemplação, que ensina na oração da vida, a descobrir Deus em todas as coisas.

Nos EE, pedimos as graças ao Pai, ao Filho, com a intercessão de Maria. Não há petições ao Espírito Santo, porque Ele é a graça pedida. Vale lembrar que o ponto alto dos EE é conformar sua vida com Jesus pobre, desprezado e humilde, desejo este que será aprofundado na Terceira Semana dos EE, quando a cruz me permite uma visão mais realista daquilo que posso realizar. Na Quarta Semana dos EE, nos deparamos com o Senhor, ressuscitado que se experimenta na ressurreição como o Amor presente, consolador e vivificante. Daí se liga a contemplação para alcançar o amor.

O mundo está sedento de paz e unidade, mas só posso muda-lo, se começar por mim. ”Se queres a paz, aceita os teus limites” (Anselm Grün, 2014).