LINGUAGEM E ESTILO DO APOCALIPSE

O uso de imagens simbólicas é da mesma natureza do gênero apocalíptico, porque a índole transcendente e sobrenatural da mensagem reclama o uso de comparações, que por aproximação facilitam a intuição profunda, mais que o conhecimento exato, daquilo que se pretende dizer.

Imagens utilizadas, as vezes são objetos: Candelabro de ouro com sete braços[1], o livro dos sete selos[2], as duas oliveiras[3], etc… Outras vezes, são gestos: marcar a fronte dos eleitos[4], comer o livro da profecia[5], tomar a medida do Templo[6] etc… Também, cidades se transformam em símbolos, como Sião, Jerusalém, Babilônia, Meguido[7]. Os números, também possuem, valor simbólico: Três, faz referência ao sobrenatural e divino, o quatro ao que foi criado, o sete exprime plenitude, e o mesmo acontece com o número doze. Também as cores: Branco, é a vitória, pureza, o vermelho a violência, o negro a morte.

Também é próprio do gênero apocalíptico o que podemos chamar “lei da antecipação”, isto é, anunciar brevemente um acontecimento que logo será desenvolvido com amplitude.

Nos dizia o pensador italiano Franco Volpi, em 2011, baseado no filósofo alemão, de origem judaica,  Günther Anders † 1992: “O homem moderno desejaria ser apenas uma engrenagem, deveria ser apenas isso, mas misteriosa e tragicamente ainda não está inteiramente adaptado à exploração mecânica, e é isso que o humilha, sua própria humanidade residual. Por isso, amedrontado e fascinado pelo mundo da produção, o homem “decide” passar à condição de produto, e a chamada “engenharia humana” (human engineering), fisiotécnica e robótica, lhe oferece o modo de fragmentar seu conhecimento em habilidades subumanas que subsistem mecanicamente independentemente da totalidade de onde procedem.

E esta eliminação técnica da humanidade é completamente coerente com o surgimento da bomba atômica, posto que ela mostra melhor que nenhum outro dispositivo o caráter prescindível da humanidade. Nestas circunstâncias, nos tornamos cegos diante do apocalipse que protagonizamos, e em que condições poderíamos recuperar o papel de agentes históricos que a ilusão de um mundo sem morte nos oculta dia após dia’”.

Referência Bibliográfica:

  • VV.AA. BÍBLIA SAGRADA, Universidade de Navarra, Edições Theologica, Braga, PT, 1990;
  • http://www.ihu.unisinos.br/noticias/41052-nao-ha-homens-de-reposicao, acesso em 02/07/2018

[1] Ap. 1,12: “Virei-me para ver aquele que falava comigo; e, ao virar-me, vi sete candelabros de ouro…

[2] Ap 5,1: “Na mão direita daquele que estava sentado no trono eu vi um livro, escrito de ambos os lados e selado com sete selos“.

[3] Ap 11,4: “Elas são as duas oliveiras e os dois candelabros que estão diante do Senhor da terra“.

[4] Ap 7,3: “Não causeis danos à terra, nem ao mar, nem às árvores, até que marquemos com o selo a fronte dos servos de nosso Deus!

[5] Ap 10,8-11: 8Depois a voz do céu, que eu tinha ouvido, falou-me de novo e disse: “Vai, toma o livrinho aberto da mão do anjo que está de pé sobre o mar e sobre a terra”. 9Fui, então, pedir ao anjo que me desse o livrinho; ele me disse: “Toma-o e devora-o; ele vai te amargar o estômago, mas em tua boca será doce como o mel”. 10Recebi o livrinho da mão do anjo e o devorei; em minha boca era doce como o mel, mas quando acabei de devorá-lo, amargou meu estômago. 11Então me foi dito: “É necessário que profetizes de novo contra uma multidão de povos, de nações, de línguas e de reis”.

[6] Ap 11,1: “Depois foi-me dada uma cana, semelhante a uma vara, e foi-me dito: “Levanta-te para medir o templo de Deus, o altar e os adoradores que lá se encontram“.

[7] Ap 14,1:3,12; 21,2; 14,8; 18,2; 16,14.16 etc…