O Papa Francisco em 05/06/2017, elogiou o Papa Pio XII pela sua ação em defesa dos judeus durante a II Guerra Mundial (1939-1945), apresentando-o como exemplo do cumprimento das obras de misericórdia. O Papa, na homilia da Missa a que presidiu na capela da Casa de Santa Marta, disse: “Muitas vezes corremos riscos. Pensemos aqui, em Roma, em plena guerra: quantos arriscaram, a começar por Pio XII, para esconder os judeus, para que não fossem mortos, para que não fossem deportados”. E acrescentou: “Arriscavam a sua pele, mas era uma obra de misericórdia salvar aquelas pessoas”.

Quis começar pelo atual Papa enaltecendo valores do autor da “Bis Saecularis”, face a grandeza de sua obra, mas cabe aqui atualizar o trabalho apostólico de Pio XII, setenta anos depois, pois “a Igreja eterna no tempo avança…”.

Hoje o Papa Francisco nos diz “Aprendi a esperar, a confiar no Senhor, a pedir a Sua ajuda, para pode discernir melhor, para me deixar guiar”, porque o nome de Deus é misericórdia. Tivemos a graça de experimentar no ano de 2016, um tempo dedicado a misericórdia. Voltemos ao tema, pois ele não se esgota, onde daremos destaque a cinco pontos, apresentados pelo atual Papa:

1. A “carteira de identidade” de Deus: Pois, a misericórdia é a própria essência de Deus. Jesus disse que veio não para que os são bons, mas para os pecadores;

2. Sacerdotes misericordiosos: O pontífice descreve o exemplo de vários padres misericordiosos que ele veio a conhecer com o passar dos anos. Mas, registramos aqui, um padre capuchinho que veio até ele em Buenos Aires para dizer que estava preocupado, pois estaria sendo demais misericordioso ao escutar as confissões. O futuro papa perguntou ao capuchinho se ele chegou a orar sobre o assunto. Eis o que o sacerdote lhe respondeu: “Vou para a nossa capela e fico de frente para o tabernáculo, e então digo a Jesus: ‘Senhor, perdoe-me se eu tenho perdoado demais. Mas foste tu quem me deu o mal exemplo!’”;

3. “Apostolado de orelha”:Francisco fala sobre a importância do sacramento da Confissão, salientando, entre outras coisas, que os sacerdotes precisam escutar com cuidado ao que as pessoas têm a dizer. Na grande maioria, as pessoas estão em busca de alguém que as escute. Alguém disposto a conceder-lhes tempo, a escutar seus dramas e dificuldades;

4. Farisaísmo: Uma prática antiga conhecida, pela atitude de condenar as falhas nos outros sem reconhecê-las em si próprio. Francisco diz que, ao longo da “história da Igreja”, houve pessoas que não parecem compreender isso, comparando-as com os doutores da lei que, no Antigo Testamento, estiveram tentados a criar armadilhas para Jesus. Diz o papa: – Jesus, é para sempre uma ameaça à rigidez. Naquela época, assim como hoje, este tipo de lógica e conduta pode ser chocante; ela provoca murmúrios furiosos por aqueles que somente estão acostumados a terem as coisas segundo as suas noções preconcebidas e a pureza ritualística, ao invés de se deixarem ser surpreendidos pela realidade, por um amor maior ou um padrão mais elevado;

5Misericórdia em ação: Francisco insiste que a misericórdia precisa ser expressa em atos de compaixão, especialmente pelos pobres e marginalizados. Se olharmos para a nossa situação, para a nossa sociedade, me parece não faltarão circunstâncias ou oportunidades ao nosso redor. O que deveríamos fazer para o sem-teto acampado em frente à nossa casa, para o pobre homem que nada tem a comer, para a família do bairro que não consegue chegar até o fim do mês com as despesas devido à recessão, porque o marido perdeu o emprego? Como deveríamos nos comportar com os imigrantes que sobreviveram à travessia e que chegaram até as nossas praias? O que deveríamos fazer aos idosos que se encontram sozinhos, abandonados e que não têm ninguém?

Setenta anos da Bis Saecularis, um convite a nos abrirmos à Misericórdia de Deus.

Fonte: Francisco, Papa. O nome de Deus é misericórdia. Uma conversa com Andrea Tornielli. Ed. Planeta, São Paulo-SP, 2016