‘A colaboração fraterna e generosa com outras Associações e Movimentos leigos de apostolado’ (BS,9 – RV,12)

O Papa Pio XII, ducentésimo sexagésimo papa da Igreja, que esteve à frente da Igreja, no período de 1939-1958, foi eleito seis meses antes do início da 2ª Guerra Mundial. Se empenhando pela busca da paz, experimentou também o sofrimento no pós-guerra, onde a “Europa não havia conseguido se libertar do fascismo; tampouco conseguira, sem auxílio externo, intimidar o comunismo. A Europa no pós-guerra, foi libertada, por terceiros. Somente através de um grande esforço e de um processo que demorou décadas, os europeus recuperaram o controle de seu próprio destino” (Judt,2007).

Olhando de frente a realidade, escreve o Papa na Bis Saecularis, nº 9: “Ainda na mesma ordem de ideias, se deve tributar o louvor às congregações marianas de terem sempre, e mais ainda nos últimos tempos, desejado do fundo da alma colaborar íntima e fraternalmente com outras associações católicas”.

O mundo estava sedento de paz e unidade e continua, conforme nos exorta a Regra de Vida das Congregações Marianas), 12: “a colaboração fraterna e generosa com outras Associações e Movimentos leigos”. Daí a importância nestes tempos, de cultivarmos a Espiritualidade Inaciana, pois a mesma não é para um consumo privado, para nos fecharmos em nós mesmos, mas para nos colocar a serviço da Igreja e do mundo.

O caminho dos Exercícios, nos leva a uma experiência profunda de Deus, tendo como ferramenta própria o ‘discernimento”, que feito de forma comunitária, passa a ser uma possibilidade concreta a serviço da realidade.

Deveríamos aproveitar mais os encontros de Aparecida e buscar fazer um “discernimento profundo”, com maturidade, para voltarmos as fontes e descobrirmos a nossa verdadeira identidade, e discernir sobre qual é a nossa contribuição mais profunda em favor a vontade de Deus.

Setenta anos depois, relembrar este ponto da Bis Saecularis, nos faz lembrar do Papa emérito Bento XVI, que certa ocasião falou: “que depois das Sagradas Escrituras, o Papa Pio XII é o autor ou fonte autorizada mais citada nos documentos do Concílio Vaticano II”. Bento XVI considera que não é possível entender o Concílio Vaticano II sem levar em conta o magistério de Pio XII, cuja herança foi recolhida pelo Concílio e proposta às gerações futuras.

Hoje, somos por Cristo convidados, chamados a ser “sujeitos” numa “Igreja em saída” a serviço do Reino, agindo como “Sal da Terra e Luz do Mundo” (Mt 5,13-14), onde cheios do Amor de Deus em ações práticas de amor ao próximo (Jo 15,17), devemos mutuamente nos perdoar, para que prevaleça a sabedoria, reconhecendo o valor pessoal de cada um dentro das Congregações Marianas.

Acredito que a Congregação Mariana precisa entender mais que o chamado à colaboração, há que ir além de suas próprias estruturas, ser uma colaboração no coração da missão, buscando espaços para o discernimento, onde deverá prevalecer um clima de colaboração fraterna, deixando transparecer a unidade que é própria do “seu único artífice”, que é o Espírito Santo, cumprindo, assim, a dinâmica de colaboração que é a chave da proposta do Papa Pio XII, tão antiga e tão nova.

Que Maria, ternura de Deus, tenha piedade de nós!