Ao degustar o livro “Leigos e Leigas, força e esperança da Igreja no mundo”, de Cesar Kuzma, e aproveitando este momento político, onde vemos ideologias à direita e à esquerda, que fazem acirrar os ânimos, transcrevo trechos do referido livro, que pode nos ajudar a discernir sobre este atual momento.

“O fim das ditaduras militares, a volta à democracia e a crescente consciência do escândalo que são as desigualdades sociais em nosso subcontinente modificaram sobremaneira o cenário da atuação da Igreja na sociedade. Há o fenômeno da globalização, enfraquecendo a autoridade política local e diminui também a força transformadora da doutrina social da Igreja” (Miranda, M.F.  A Igreja numa sociedade fragmentada).

A situação política de nosso continente está em profundo processo de transformação. Onde inúmeros escândalos políticos escondem, dentro de si uma alienação política causada por décadas de ausência pública.

Tratar sobre política, no universo cristão católico é algo que merece urgência, com mudança de postura por parte de todos. Durante toda a história da civilização houve políticos honestos e desonestos. Grande maioria é eleita com amplo apoio de igrejas locais, que estão, por sua vez, acostumadas a manter certa postura indiferente em relação a questões políticas e sustentar assim certa aparência diante das elites; talvez favores diversos ou até mesmo ignorância política.

Sabemos, que alguns bons políticos, prestam bom serviço à comunidade e possuem certa coerência entre palavra e prática. Também sabemos, que outros se aproximam para angariar votos em período de eleição. E há, alguns religiosos que se associam a pessoas políticas no intuito de obter benefícios. Atitudes que demonstram fraco compromisso ético e cristão na sociedade.

A religião e a política em qualquer parte do mundo estão interligadas por inúmeros motivos. Pela religião você pode manipular a opinião pública para justificar os seus atos. Veja as novas “Igrejas de Mercado”, trazidas pelo fenômeno pentecostal. Mas, ela também pode ser importante mecanismo de mudança, se usada com coerência.

Desta forma, urge a necessidade de mudar. Este é o campo dos Leigos e leigas. Não é um trabalho fácil, mas que deve ser feito. “A Igreja não pode e nem deve tomar nas suas próprias mãos a batalha política, nem deve pôr-se no lugar do Estado. Mas também, não pode e nem deve ficar à margem na luta política. Deve inserir-se nela pela via da argumentação racional e deve despertar as forças espirituais, sem as quais a justiça, que sempre requer renúncias também, não poderá firmar-se nem prosperar” (Bento XVI, Deus é amor, nº 28).

Algumas ações, podem ser propostas, com aumento do trabalho de conscientização política nas bases. Este é o ponto fundamental. Não se começa uma construção pelo alto e sim pelos alicerces. Se estes estão fundamentados, o resto do trabalho será consequência. Então, se faz necessário:

  1. Lutar pela oportunidade de educação para todos. Sem educação, não há mudanças sociais ou políticas. O intuito é despertar o discernimento para futuras tomadas de decisões;
  2. Montar grupos de reflexão, onde se discutem problemas referentes às suas realidades. Haverão outros pontos de vista, com outras ideias e propostas;
  3. Desenvolvimento de lideranças, formados pela própria comunidade. Perguntamos: até que ponto os líderes políticos que são eleitos representam as comunidades que os elegem?
  4. Formação e melhoria das escolas de fé e política. Foi um ponto forte no passado e responsável por lideranças, infelizmente, deixado de lado. Deve ser retomado!

“Hoje, as decisões políticas trazem as mais diversas consequências a sociedade em geral. Desde guerras mal-intencionadas, exclusão social, liberação do aborto, experiência com embriões humanos etc… Não é justo que grande parte da humanidade pague o preço por erro de outros. Deve haver justiça! É dever de um cristão dar a vida e fazer deste mundo um lugar melhor. É necessário contribuir para uma sociedade melhor. O futuro começa agora, as consequências serão fruto de nossas ações e omissões” (V Conferência Geral do Episcopado da América Latina e do Caribe, Aparecida-SP).