“E nós reconhecemos o amor que Deus tem por nós e cremos neste amor. Deus é amor; quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele” (1Jo 4,16).

 

Tendo como pano de fundo a Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Amoris Laetitia” (Alegria do Amor), do Papa Francisco, em que fala do cuidado do amor em que devemos vivenciar em nossas famílias, principalmente neste tempo de ‘mudança de época’ que tanta destruição tem nos assolado. Quero chamar a atenção ao amor a nossa ‘família mariana’, tão dispersa, as vezes controversa e que na certeza desta Alegria do Amor, podemos cada um, em silêncio, discernir e responder: – Entendo que sou amado por Deus? – Como tenho correspondido a este amor junto ao meu próximo?

No quarto capítulo do documento, me chama atenção ao nosso ‘amor cotidiano’, que alargo a uma visão sobre ‘nosso amorvivência na Congregação Mariana’, onde como consagrados devemos viver a experiência de partilha da vida, de uns para com os outros[1].

São Paulo, na Páscoa do ano 56, na cidade Éfeso (cf. 1Cor 16,8), redige a Primeira Carta aos Coríntios, onde escreve um ‘Hino ao Amor’ (1Cor 13,4-7), apontando que ‘o amor é paciente’.

Trazendo a nossa realidade, entendemos que o congregado é paciente, quando não se deixa levar por impulsos interiores e evita agredir a um outro. O ‘amor, requer atitude de serviço’ e como dizia Santo Inácio: ‘o amor deve ser colocado mais nas obras do que nas palavras’, ou seja, o congregado precisa ter atitudes de serviço. O ‘amor não é invejoso’, para sabermos apreciar os sucessos alheios. O ‘amor não é arrogante’, assim como Maria, devemos buscar atitudes de humildade.

O ‘amor precisa ser amável’, pois gera vínculo entre os congregados na família mariana, ao qual pertencemos, cultiva laços, cria redes de integração e constrói uma Congregação Mariana firme. Precisamos de ‘desprendimento’, pois para amarmos os outros, cada um necessita primeiro amar a si mesmo, sem violência interior, como ensina o Evangelho: ‘olhar primeiro a trave na própria vista’ (cf. Mt 7,5).

Congregação, como família mariana é ‘lugar de perdão’, pois um mau sentimento em nosso íntimo, dá lugar ao ressentimento. Sabemos que não é fácil, mas a ‘comunhão da família mariana’ só poderá ser conservada e aperfeiçoada com grande espírito e sacrifício. Assim, devemos nos ‘alegrar uns com os outros’, pois, ‘Deus ama quem dá com alegria’ (2Cor 9,7).

O ‘amor tudo desculpa’. Devemos limitar nosso juízo, guardar o silêncio. Aprendemos de Maria a ‘guardar as coisas no coração’. Evitar de falar ‘mal dos outros, irmãos de Congregação’ (Tg 4,11). Abandonemos a ‘Pastoral da Língua’, tão perigosa em nosso meio, deixemos de ressentimentos e invejas. Congregados que se amam, se pertencem, falam bem um do outro. ‘Quem ama confia’. A confiança torna possível uma relação de liberdade, não é necessário controlar o outro.

O ‘amor espera’, indica a esperança de quem sabe que o outro pode mudar, sempre é possível amadurecimento. Por fim, ‘o amor tudo suporta’, é ser capaz de espírito positivo, mantendo-se firme no meio de um ambiente hostil. Lembrando, que ódio por ódio só intensifica a existência do ódio.

Na família mariana, para uma boa convivência é preciso cultivar esta força do amor, que não se deixa dominar pelo ressentimento, o desprezo das pessoas, o desejo de se lamentar ou de se vingar por alguma coisa. Ao pensarmos na Congregação Mariana que queremos, se faz necessário buscar este amor. Que assim seja!

[1] Ainda, hoje, dia que escrevo este texto (15/out/2018), dia dedicado a Santa Teresa D’Ávila, completo 46 anos de consagração a Nossa Senhora.