“A evangelização do mundo atual em fluxo exige uma conversão pastoral, enraizada em uma experiência individual e eclesial da misericórdia de Cristo, que gera discípulos missionários” – Evangelii gaudium, nº 119-121

O Papa Francisco, tem nos encorajado em suas alocuções e recentes documentos, a seguinte questão: – Como evangelizar um mundo em mudança?

A tarefa consiste em ajudar as pessoas fiéis a ter um encontro pessoal com Jesus Cristo e vivenciar a misericórdia transformadora de Deus. Nas Congregações Marianas, apoiado no exemplo de Maria, Mãe de Jesus, nossos corações encontram respostas a nossas mais profundas ansiedades, através da oração e leitura do Evangelho.

A reação às mudanças que vemos no mundo, não devem consistir em lamentação ou raiva, mas em discernimento: o que o Espírito Santo está pedindo de nós? Conforme Maria, na Anunciação, após o dialogo com o anjo em seu discernimento para confirmar o “Sim”.

Neste sentido, a beleza da verdade oferecida pela Igreja é a boa nova da graça, da misericórdia, a boa nova de que somos amados primeiro; tirando-se isso, o pão do Evangelho se torna uma pedra morta para atirar nas pessoas. Como exemplo: a jornada de Pedro se torna a jornada da Igreja. “Conhecer Pedro abatido para conhecer Pedro transfigurado”.

Evangelizar através da misericórdia, diz o Papa: “O problema não está em dar de comer ao pobre, vestir o nu, assistir o doente, mas em considerar que o pobre, o nu, o doente, o preso e o sem-teto têm a dignidade de se sentar às nossas mesas, sentir-se ‘em casa’ entre nós, sentir-se família”. Este é o sinal de que o Reino de Deus está no meio de nós.

Congregados, devemos nos abrir à graça, tal como Maria, a “Cheia de Graça”, pois santidade significa ser misericordioso e agir misericordiosamente. Nós nos tornamos pessoas cristãs não por meio de nossa obediência à lei, e sim sob o efeito da graça de Deus. Deste modo, devemos pedir a graça da consolação, como dizia Santo Inácio: “consolação é todo aumento na esperança, na fé e na caridade, a toda alegria interior, que conclama e atrai para as coisas celestiais”.

Congregados Marianos, que nosso apostolado seja para consolar o povo fiel e ajudar com o discernimento a fim de que o inimigo da natureza humana não nos tire a alegria: a alegria de evangelizar, a alegria da família, a alegria da Igreja, a alegria da criação. Discernimento significa entender as formas pelas quais a graça de Deus está tentando nos alcançar e o que nos impede de nos abrir para ela.

Devemos assim, evitar as ideologias ou códigos morais, pois, não raro, são tristes, pois dependem de nossa vontade, e não da graça de Deus. São desprovidas de misericórdia.

Francisco conclama a colocarmos o foco no amor misericordioso de Deus que precede qualquer obrigação moral ou religiosa de nossa parte. Devemos sim, ser discípulos missionários que não constroem cavernas para se esconder dentro delas, mas acendem fogos ao ar livre onde os de fora possam encontrar segurança e acolhida.

É significativa uma nova abertura para o Espírito Santo, assim como Maria, toda de Deus e tão nossa, o fez com perfeição. O Espírito Santo é a energia que nos move, dando frutos de liberdade, destemor e novidade. Vamos, pois congregados seu Reino construir!

Está aí, a proposta para este tempo em Mudança de Época.  O foco deve ser na Misericórdia, no querigma, no encontro pessoal com Cristo.

Salve Maria!

 

Fonte Bibliográfica:

I. Austen, Cadernos de Teologia Pública, 139, UNISINOS, 2018