O perfil do Congregado Mariano como apóstolo, nos dias de hoje, acha-se nas palavras do Papa Pio XII: solidamente enraizados na fé, a fim de que não vacilem. Católicos que, com o olhar fixo no ideal das virtudes cristãs da pureza, da santidade, conscientes dos sacrifícios que ela lhes impõe, tendam a este ideal com todas as forças, na vida quotidiana, sempre retos, resistindo às tentações e seduções de uma vida fácil e acomodada” (Regra de Vida nº 33)

O Papa Pio XII (†1958), esteve à frente da Igreja por dezenove anos e nos deixou este recado, registrado em nossa Regra de Vida, a mais de sessenta anos. Hoje, a luz de novos Documentos da Igreja, o Congregado Mariano como Discípulo Missionário, deve fazer a experiência da Misericórdia de Deus que provoca o desejo de dar uma resposta generosa e radical à pergunta “que farei por Cristo”.

Ter um olhar fixo no chamado que Jesus nos dirige, junto com a resposta que este chamado exige: o seguimento. A pessoa e o chamado de Jesus, iluminados pelas atitudes de tão boa Mãe, centram todo nosso entusiasmo numa experiência que se experimenta, sobretudo na Consagração que fazemos a Nossa Senhora ao ingressar na Congregação Mariana.

Somos convidados a resistir as tentações, neste tempo de pós-modernidade, mas, claramente notamos uma ambivalência, onde o antigo e o novo coexistem. Dentro da mudança de época em que vivemos, existem, em relação ao religioso em geral e à consagração a Nossa Senhora, dois aspectos importantes: uma postura de irrelevância, como fruto de secularização da sociedade, onde a consagração não faz falta ao homem de hoje; mas também há um inesperado despertar espiritual de fome pelo sagrado.

A questão da consagração a Nossa Senhora, mesmo entre os católicos encontramos críticas a ela, “pois já fomos consagrados a Deus no batismo”. Mas há muitos que buscam a consagração como uma maneira de viver a sua religiosidade, e até mesmo entre os pastores da Igreja, como São João Paulo II, que foi um grande propagador da consagração à Virgem (Totus tuus).

Hoje, nosso perfil de congregado, tem como o ideal a consagração, ou seja, a identificação com Maria, pois, desta forma nos sentimos em comunhão íntima com o Pai, o Filho e o Espírito Santo e, ao mesmo tempo, incentivados ao amor cordial e criativo junto ao próximo.

Santa Teresa do Menino Jesus, dizia: “Apresentam-nos Nossa Senhora como inacessível, deveriam propô-la como imitável” (NV 23-VIII).

Então, estar enraizado na fé, sem vacilar; ter um olhar fixo na busca da santidade e conscientes dos sacrifícios da vida quotidiana, resistimos aos comodismos de uma vida fácil. Pois, livremente optamos pela consagração a Nossa Senhora, como um algo mais, com a certeza que Deus deseja a nossa amizade. E, para estar em contato com Deus é necessário perder o contato com a vida comum.

Nesta busca da santidade, grande parte do ensinamento religioso que temos, pede uma separação. Mas, Deus tem um sonho para este mundo, onde deseja em que os seres humanos trabalhem juntos em harmonia e amizade com ele, uns com os outros e com toda a criação.

Então, nesses novos tempos, o cristão, congregado mariano e consagrado a Nossa Senhora, deve agir como alguém criado à imagem do Criador:

Vós sereis meus amigos se praticardes o que vos mando. Já não vos chamo de servidores, pois o servo não sabe o que faz o Senhor. Mas eu vos chamo de amigos, porque vos dei a conhecer tudo quanto ouvi de meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos mandei ir e produzir fruto, um fruto que dure. Então, meu Pai concederá tudo quanto pedirdes em meu nome. Isto vos ordeno: amai-vos uns aos outros” (Jo 15,14-17).

Salve Maria!

 

Referência Bibliográfica:

Souza, Pe. Antonio Elcio. Considerações sobre a consagração a Nossa Senhora. Maria, na Liturgia e na Piedade Popular. Academia Marial de Aparecida. Paulus-SP, 2017.

Barry, William,SJ. Mudar o coração, transformar o mundo. Ed. Loyola-SP, 2016.