“Quando ouviram estas palavras de Jesus, todos na sinagoga ficaram furiosos” (Lc 4,28)

No Evangelho deste 4º Domingo do Tempo Comum, me dá inspiração a força da Palavra de Jesus, após seu pronunciamento na Sinagoga, onde muitos ficaram admirados com o que dizia. Mas, ao mesmo tempo, por saberem que era o filho de José, o carpinteiro da região, alguns ficam encolerizados e querem o eliminar. Mas, Jesus os ignora e segue seu caminho.

Os ouvintes, primeiro ficam admirados e depois surpresos. Pois as Palavras pronunciadas por Jesus, além de encantadoras, despertam nas pessoas assombro, ativando suas vidas e não as deixando indiferentes. São palavras provocativas, que incomodam. Jesus, fala daquilo que sai de seu interior e apresenta proposta de um mundo diferente.

Então, quem o segue, quer mudar; pois descobrem que estão mergulhados na inércia e fechados à presença divina.

Ao mesmo tempo, podemos dizer que as Palavras de Jesus, questionam o sentido que nossas palavras têm. Hoje tagarelamos no WhatsApp, Facebook, Twitter etc…, que são as sinagogas pós-modernas, onde devemos nos questionar a cada publicação: a) falamos o que vivemos? b) digitamos e transmitimos calor humano? C) nos responsabilizamos com o que pronunciamos?

Cabe lembrar que somos seres complexos: ora transmitimos verdades, ora enganamos a nós mesmos e a nossos interlocutores. Com a palavra, podemos ser transmissores de amor e da paz ou gerar ódio e rancor. Onde está o meu foco?

Hoje, infelizmente, se repete como nos tempos de Jesus, postagens de palavras ásperas, de indiferença, preconceito e intolerância. Mas, vale lembrar, que Jesus foi deletado de sua comunidade, porque falou de maneira diferente, e seu anúncio e opções rompiam esquemas mentais arcaicos e petrificados.

Como Jesus, aprendamos a pronunciar algo novo, pois, mediante tantos desafios, ainda há “uma terra sedenta que espera ansiosa pela chuva”. Então, diante das palavras de Jesus que brotam de minha sinagoga interior, posso perguntar-me: a) Quantas pessoas consigo convencer com minhas palavras, em meu trabalho de evangelização? b) Tenho falado realmente daquilo que vivo? c) Tenho despertado o coração de outras pessoas? d) Ou por outro lado, me sinto o escolhido e deixo as pessoas entediadas diante de meu palavreado crônico, minhas críticas ácidas e de meus julgamentos preconceituosos?

Boa oração! E que Maria, a Virgem do Silêncio, nos ensine, que há momentos que é melhor silenciar, principalmente quando não se tem uma palavra diferente que dizer.

Referência Bibliográfica:

  • Reflexões do Pe. Adroaldo Palaoro,SJ sobre o Evangelho do 4º Domingo do Tempo Comum.