“O homem bom tira coisas boas do bom tesouro do seu coração” (Lc 6,45)

O Evangelho de hoje nos exorta a continuar caminhando com Jesus, experimentando seus ensinamentos, suas orientações, que são bem firmes e tocam nosso coração, que é sede de nossos sentimentos, o centro de nós mesmos. E como nos diz o teólogo ortodoxo francês Olivier Clément: “O sentido de nossa vida não é outro que a busca deste lugar do coração”.

Jesus, em suas pregações dava importância ao coração: “a boca fala daquilo que o coração está cheio” (Lc. 6,45); “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt. 5,8). Os Padres do Deserto criaram métodos de autopersuasão, para trabalhar os pensamentos, com afirmações positivas, pois assim, sentiam um amor que ampliava seus corações, citavam o Sl 7,10: “Deus sonda o coração e os rins”.

Nesta perspectiva entendemos que o coração é o lugar das escolhas decisivas e da ação misteriosa de Deus. Devemos recitar afirmações positivas, para que as negativas se calem. “Devemos buscar as afirmações da Escritura, que são mais próximas de nosso coração, pois afirmações positivas da Palavra de Deus, nos dá força para jejuar e vigiar”. (Anselm Grün, Autopersuasão, Ed. Vozes,2016).

Santo Agostinho disse certa vez: “Deus é mais íntimo a cada um de nós do que nós mesmos”. Repetimos em cada Eucaristia: “Ele está no meio de nós”, ou seja, em nosso coração. Com este entendimento e se esvaziando do mundo, captamos que o lugar do coração é dom Deus: “Eu lhes darei um coração para conhecer-me; saberão que eu sou o senhor. Eles serão meu povo e eu serei seu Deus; eles se converterão a mim com todo seu coração” (Jer 24,7).

Importante não esquecermos de nossas orações diárias; um já acordar pedindo a graça de Deus em nossas vidas, pois a oração é o caminho interior que nos leva até Deus. Também, há momentos que precisamos silenciar, ouvir a voz do coração, para escutar todo o nosso ser; reconhecer o murmúrio da voz de Deus, que como um rio de água viva passa pela nossa vida.

Podemos nos questionar: – Em que categoria de pessoa me enquadro:

  1. dos convencidos: que se acham dono da verdade;
  2. dos hipócritas, que fazem o que Cristo nunca quis fazer: julgar… condenar… dizem e não fazem.

Lembrando sempre: pensamentos bons, obras boas; pensamentos ruins, obras ruins. Pois, somos conhecidos pelas nossas palavras e boas obras.

Boa oração!