A oração pessoal é fundamental no retiro inaciano.

Somos chamados a estar atentos e através de nossas ações procurar concretizar a vontade de Deus. Pois, o Senhor não se manifesta de forma direta e objetiva, mas por meio de seus efeitos na realidade e em cada um de nós.

Mas, ao captar os efeitos da proximidade de Deus em nossa oração, ao qual chamamos de discernimento, que é um prestar atenção, um voltar-se para Deus, um escutar.

A oração se inicia com a experiência do silêncio, com horário definido, local, posição corporal, momento favorável do dia e condução do próprio pensamento. Santo Inácio nos propõe nas Adições (EE 73-81).

Nos EE temos diferentes modos de orar, que vai pouco a pouco ajudando o exercitante a assimilar o mistério e permitir que seja assimilado por este. O mistério educa e modela pelo interior. São estes os modos de orar:

  1. EE 23: consideração
  2. EE 90: exame de consciência
  3. EE 45: meditação segundo as três potências: memória, inteligência e vontade
  4. EE 106-108: contemplação
  5. EE 62: repetição para aprofundamento da experiência orante
  6. EE 118: aplicação dos sentidos espirituais

Para que não se deixe levar por entusiasmos, reveja por um espaço de tempo (EE 77), como uma crítica espiritual o processo orante, e confronte com aquele que dá os EE.

Estes modos de orar, proporcionam no exercitante o espaço possível para ser movido por Deus. O orientador deverá sempre se interessar pelas moções (movimentos espirituais). É impossível imaginar alguém fazendo os EE sem que isso aconteça.

O referencial da oração é sempre o Mistério. A oração não é um falar de si ou de algum problema mais urgente que possa ser. Mas, é um escutar, no sentido de deixar-se tocar pelo mistério. Vale lembrar o Sl 138, onde diz: “que a palavra, antes mesmo de chegar à boca, já é toda conhecida por Deus”.

Nos EE, a oração procura sempre ter um referencial bíblico, pois a Palavra de Deus está na Sagrada Escritura. E, assim devo entender:

  1. EE 75: postura inicial da oração – “considerar como Deus me vê
  2. EE 76: pedido da graça – “encontrar aquilo que quero
  3. Colóquios: são próprios dos momentos finais – falar, louvar, expor

Após o silêncio, a escuta da Palavra, pois até mesmo para pedir é necessário que estejamos iluminados pelo Espírito.

A dimensão de escuta da oração dos EE, nos leva a renunciar:

  1. ao emocionalismo
  2. ao utilitarismo moralista que busca obter regras de comportamento
  3. aplicações imediatas
  4. propósitos.

A dimensão de escuta da oração dos EE, visa:

  1. Proximidade com o mistério, com a Pessoa do Pai, do Filho e do Espírito Santo
  2. Uma celebração de aliança interpessoal, onde as eventuais mudanças comportamentais serão fruto da relação estabelecida (com o mistério), e não de um processo de voluntarismo.

Lembrando: “Mudanças comportamentais não indicam necessariamente oração; mas sempre que houver oração haverá alguma mudança comportamental”. Pois, ninguém se aproxima de Deus e sai do mesmo modo, conforme nos mostra o Antigo Testamento.

Após a conclusão dos EE, o exercitante que experimentou em sua vida as diversas formas de oração e criou por elas um gosto profundo, permitirá, que ao longo da vida, em seu cotidiano, escolha um dos modos e que naquele momento responderá ao seu caminho espiritual.

Referência Bibliográfica:

  • FILHO, S.C. OS EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS DE SANTO INÁCIO DE LOYOLA, Um Manual de Estudo, E. Loyola, São Paulo,SP, 2014. Pág. 27-28.