“Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e, no deserto, era guiado pelo Espírito” (Lc. 4,1)

Após o Batismo, Jesus, cheio do Espírito Santo vai ao deserto, em busca de paz, silêncio para discernir sobre a missão confiada a Ele pelo Pai, mas acontece as tentações, onde passará por uma forte experiência de sua vocação, conforme acontece conosco hoje, onde podemos ser enganados facilmente. Observamos na cena, estreita relação entre o Batismo de Jesus e as tentações no deserto, onde no Batismo o Espírito Santo pousa sobre Jesus e no deserto o mesmo Espírito O leva, mostrando um Jesus que se deixa conduzir, pois age com o coração, em liberdade.

Quaresma é este tempo sagrado para renovação interior e as tentações podem impedir esse renascer. Mas, devemos ter o olhar nos gestos e atitudes de Jesus.

O tentador quer que Jesus se afaste de seu fim (projeto messiânico de salvação) e oferece a Ele alguns meios determinados para realizar a salvação. Os meios propostos pelo tentador, são agradáveis e querem salvar e libertar toda humanidade, mas, através do poder, do prestígio e da dominação. Na realidade o tentador, não quer que Jesus se afaste de seu fim, mas utilize os meios propostos por ele, que são contrários a solidariedade.

Jesus rejeita a tentação, porque não vive para seus interesses, vive Sua missão, fiel à Vontade do Pai. Pelo seu exemplo, sua vida, irá nos mostrar que para alcançar o sucesso, não devemos buscar resultados a qualquer preço, mas devemos realizar gestos de gratuidade e solidariedade, com conceitos de ética e moral. Devemos deixar de lado a ideologia da vaidade, que só pensa em tudo ganhar, num ritmo frenético.

Acrescenta o teólogo alemão Jurgen Moltmann sobre este comentário: “Esta fome de prazer, de posse e de poder, esta sede de reconhecimento pelo êxito e admiração, esta é a perversão do homem moderno. Este é seu ateísmo. E assim o homem se converte num desgraçado e altivo semideus”.

As tentações nos mostram dois caminhos a seguir: impulso para ir além de si mesmo, gerando vida; ou movimento de retração, como medos e apegos, gerando morte. Padre Adroaldo, SJ, nos exercícios espirituais sempre fala que este tempo da Quaresma é tempo de des-velar (tirar o véu, pôr às claras a minha vida).

Seguir Jesus não deve ser uma luta interna que me desgasta, nem um combate entre o bem e o mal, onde o centro passa a ser eu, onde tenho a tentação de dizer: eu venci a luta. Na verdade, deve ser um deixar-se conduzir pelo Espírito, pois, não entendemos e nem sabemos para onde vamos. Isto deve ser o decisivo em nossas vidas.

Sabemos que, as tentações não acabam, e continuam nos dias de hoje, sedutoras, com propostas atraentes e vem disfarçadas de nomes que nos animam: ambição, fome de poder, desonestidade, libertinagem.

Quais nossas tentações: do ter; do poder; do prazer, ou buscamos uma religião sem compromisso.

Lembre-se: Deus tem um plano para cada um de nós, e as tentações estão aí, para nos desviar desse plano. Como reagimos?

Boa oração!