“… e subiu à montanha para rezar” (Lc 9,28)

Depois das instruções aos apóstolos, onde fez seu primeiro anúncio da Paixão, Jesus ia ao monte e com ele levava Pedro, João e Tiago, filho de Zebedeu ou o Maior (o peregrino) para rezar. Mas os três adormeciam, enquanto Jesus se transfigurava. Quando os três acordaram, se assustaram, pois se depararam com a visão da glória, onde Jesus está ao lado de Moisés e Elias. Enquanto Pedro argumenta que é bom estar ali, uma nuvem cobre a todos e uma voz fala com eles sobre Jesus, dizendo: – que Ele é o escolhido e que devem escutá-lo.

Quando entendermos que a transfiguração é a transparência de Deus na humanidade de Jesus, revelando quem Ele era, iremos  descobrir que a nossa humanidade poderá transparecer Deus e assim nos divinizarmos. Será ganho a todos nós.

Em sua oração, diz Santo Inácio de Loyola (†1556): que devemos querer “sair de nosso próprio amor, querer e interesse”, para ir em direção ao outro, ao próximo. Hoje, insistentemente o Papa Francisco nos pede que sejamos “cristãos em saída”, capacitados de enxergar nosso próximo, em sua beleza, em sua bondade, ou seja, transfigurado também. Pois, só assim entenderemos o mistério em profundidade.

Em nossas mãos temos a Palavra de Deus (Bíblia), e paralelamente, ficamos felizes com a colocação do teólogo espanhol Rovira Belloso (†2018), que disse: “O evangelho é um itinerário para abrir com profundidade a interioridade humana”, pois pela luz da Palavra podemos adentrar nosso interior e ter um encontro com o próprio Deus, que vai nos transfigurando e nos tirando da vida medíocre que vivemos, fazendo de nós pessoas transparentes, puras, simples e que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus.

Mas, para este seguimento de Jesus, precisamos subir com Ele no Monte Tabor, para nos transfigurarmos, façanha que será possível, se antes nos dispusermos descer ao nosso interior para nos esvaziar de nossos pecados, vaidades e paixões desordenadas. Só assim encontraremos nossa própria humanidade, que é um buscar em nosso interior (coração) um sentido para nossas vidas, buscar verdades e nossa originalidade. E, cheios de uma nova energia, saiamos de nossos comodismos, sendo pessoas com mais vigor e compromissada com a prática do bem e da justiça. Este é o nível da graça, da gratuidade, da abundância, onde mergulhamos no silêncio da oração, à escuta de todo nosso ser.

Precisamos deste convite, de subir ao nosso Monte Tabor, para fortalecer a nossa fé. Esta é a caminhada quaresmal, onde em cada Missa dominical faço esta subida para ver o Cristo ressuscitado. Escuto sua voz, através das leituras e depois transfigurado, saio da Igreja para enfrentar o mundo.

Boa oração…