… pensais que eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? (Lc 13,4).

Algumas pessoas chegaram até Jesus e contaram de uma tragédia acontecida com alguns galileus (cf. At 5,37). Mas, Jesus respondeu convidando-os a conversão e contou a parábola da figueira e deixando-os a pensar sobre quem são os culpados pelos acontecimentos.

Recentemente, vivenciamos tragédias seguidas no Brasil, tais como: o rompimento da barragem de Brumadinho, o incêndio no Ninho do Urubu, fortes chuvas das águas de março, que se anteciparam em fevereiro e o massacre na Escola Estadual Professor Raul Brasil no município de Suzano-SP. São acontecimentos trágicos e podemos questionar:Por que Deus permitiu? Somos assim, sempre buscamos culpados e inadvertidamente até culpamos Deus.

Nos vem o questionamento: Será que toda desgraça é um castigo de Deus? Ou, será que precisamos ter um olhar em nosso tempo atual e procurar uma nova leitura desses trágicos acontecimentos?

Não será um questionar onde está Deus, mas sim onde estou diante de todas estas calamidades e sofrimentos. Será o momento de reagirmos solidariamente diante de tantas pessoas violentadas, pessoas indefesas, que sofrem diante das forças da natureza e do mal. Precisamos contemplar essas tragédias, que são dores e sofrimento da humanidade, com coração aberto. Este é o tempo que o Senhor fez para nós, para aproximarmos d’Ele e vivenciarmos com Ele sua Paixão e Morte, ou seja, as dores da humanidade.

Estamos na Quaresma, tempo de conversão, precisamos nos identificar com essas vítimas, não sofrendo com elas, mas defendendo a dignidade dessas pessoas e lutando contra tudo que desumaniza o ser humano. Não adianta ficar apontando culpados, aqui e ali. Atitude sadia é ter responsabilidade, sentimento maduro de quem acolhe a vida nas suas diferentes situações que nos são apresentadas, acarretando mudança em nossas vidas. Se não buscarmos tal mudança de atitude, não estaremos no caminho proposto por Jesus, conforme a Parábola da figueira plantada na vinha (Lc 13,6-9).

Compartilho aqui, as palavras do doutor em Teologia da Universidade de Granada (ES), Carlos Morano: “Assim como Deus nos libertou do pecado… torna-se urgente libertar Deus da culpa”, pois ao libertarmos Deus da culpa, deixamos Deus ser Deus em nossa vida, pois foi para nos libertar das amarras da lei e da culpa, que Cristo assumiu a condição humana.

Devemos abençoar ao invés de culpar, pois, só com essa mudança de atitude, conquistamos: a) vida em comunhão, que contém gestos de amor e partilha; b) e os apelos à conversão, onde colocamos o Reino de Deus em primeiro lugar em nossas vidas. Mas, a verdadeira conversão só se manifestará a partir da prática de boas obras, que sejam correspondentes ao amor generoso do Pai.

Boa oração!

Referência Bibliográfica:

PALAORO,A. Quem é o culpado? Centro Loyola, fev. 2013. Disponível em: <https://centroloyola.org.br/revista/outras-palavras/espiritualidade/215-quem-e-o-culpado>. Acesso em 17 mar 2019.