Meu filho, tu estás sempre comigo e tudo o que é meu é teu também. Mas era preciso a gente festejar e se alegrar, porque este teu irmão estava morto e reviveu (Lc 15,31s)

Um Pai; dois filhos; um partiu e o outro ficou. O que partiu se arrependeu, voltou e ganhou festa. O que ficou se indignou, já estava lá, não teve festa. Este é o Pai que abraça o que voltou, e escuta o que ficou. Este é o Pai de Misericórdia que acolhe os dois.

Jesus nos exorta a reconciliação com esta parábola. Quer mostrar que temos um pouco de cada um dos filhos presente em nós, nesse sentido nos pede uma reflexão sobre a parábola para discernir o que me falta a reconciliação com o Pai, com meu próximo, comigo mesmo e com a natureza.

Assim, a Quaresma se torna este tempo propício a este pensar e a refletir sobre as Políticas Públicas, conforme nos sugere a Campanha da Fraternidade. Será que povo e governo estão em processo de renovação e conversão? – Não é isso que vemos, mas sim partidarismo de um lado e outro e a miséria se aprofundando. Os políticos, podiam dar o exemplo, mas não raro, se entendem. Nos restando a esperança, mas esta “não vem do mar, nem das antenas de TV”[1]. Mas, entendemos que “aquilo que procede em Deus Pai e que existe em Cristo e nos é antecipado pela ressurreição é o que entendemos como futuro de Deus; o nosso caminhar em direção a ele justifica-se pela missão da esperança”[2]

Que a parábola, toque nosso coração a imitarmos o gesto do Pai, pois nossa vontade de praticarmos a misericórdia deve ser baseada no desejo de imitarmos o amor de Deus. E lembrando as palavras do Papa Francisco, por ocasião do Ano da Misericórdia: “Nós também somos destinatários da abundante misericórdia de Deus, e de modo algum merecemos Sua graça redentora, o perdão pelos nossos pecados e a oferta de salvação. Não é merecido. Somos impelidos a sair e fazer o mesmo.

Boa oração!

[1] Trecho da música Alagados, Paralamas do Sucesso, 1986

[2] Kuzma, C. O Futuro de Deus na missão da Esperança, Paulinas, São Paulo-SP, 2013