Eu também não te condeno. Vai e não peques mais (Jo 8,11)

Jesus se retira para orar e desta vez vai ao Getsemani, após, retorna ao Templo para ensinar, e se depara com os escribas e fariseus, que traziam uma mulher pecadora, conforme o preceito da Lei (cf. Lv 20,10), e questionam o Mestre. Mas, Jesus se valendo da prática da lapidação (cf. Dt 17,7) interpela a consciência de cada um, questionando-os como podem cumprir a Lei e castigar a mulher, sendo eles pecadores? Ao final só dois ficam: a miserável e a Misericórdia.

A Misericórdia infinita de Deus deve nos mover a sempre ter compaixão daqueles que cometem pecado, porque todos somos pecadores e necessitamos do perdão de Deus. No Evangelho de hoje, Jesus acolhe uma mulher adúltera, não por relaxamento moral, mas por uma misericórdia maior que a justiça. Pois a força de Deus não está no castigo, mas no amor. Inclusive, podemos fazer uso dessa Misericórdia, a cada vez que participamos do Sacramento da Reconciliação, porque Deus continua nos dizendo: “Teus pecados estão perdoados. Vai em paz e não peques mais…”.

Mas, lamentavelmente vivemos numa “sociedade que pratica o desprezo”, prevalecendo a intolerância, o preconceito e a crítica destrutiva, que sobressai pela humilhação e descarte de algumas pessoas próximas, às vezes da família e até de nossos grupos e comunidades eclesiais: – “Aquele que não tiver pecado, que atire a primeira pedra”.

Vale o comentário do Pe. Adroaldo Palaoro,SJ em seu texto sugestivo ao Evangelho deste 5º Domingo da Quaresma: “As “pedras na mão” são fáceis de serem encontradas também em nossas vidas. Hoje são as pedras do whatsapp, do twitter, das mensagens preconceituosas, das fake-news…, que bloqueiam o futuro das pessoas através da crítica sem piedade, do desprezo que destrói, da indiferença que congela as relações…”.

No encontro de nossa miséria com a misericórdia de Deus, algo bom pode acontecer, quando nos deixamos ser iluminados pela Palavra de Deus, tal qual nos propõe o lema da Campanha da Fraternidade: “Serás libertado pelo direito e pela justiça” (Is 1,27). Que assim seja!

Boa oração!