De noite quando dormia
sonhei, bendita ilusão!
que uma nascente fluía
dentro do meu coração.
Por que ribeira escondida,
água, vens tu até mim,
manancial de nova vida
onde jamais eu bebi?

 

De noite quando dormia

sonhei, bendita ilusão!

que uma colmeia vivia

dentro do meu coração;

e as douradas abelhas

iam fabricando nele,

com as amarguras velhas,

branca cera e doce mel.

 

De noite quando dormia

sonhei, bendita ilusão!

que um ardente sol luzia

dentro do meu coração.

Era ardente porque dava

o calor de um rubro lar,

e sol porque alumiava,

porque fazia chorar.

 

De noite quando dormia

sonhei, bendita ilusão!

que era Deus o que eu trazia

dentro do meu coração.

 

Extraído de: ANTOLOGIA DA POESIA ESPANHOLA CONTEMPORÂNEA, seleção e tradução de José Bento, Lisboa, Assírio & Alvim, 1985.

* Poesia declamada por Jorge Pontual no Telejornal Em Pauta do Canal GloboNews, em 19/04/2019, desejando uma Boa Páscoa!