No início da história de Salomão, filho de Davi, há um sonho (cf. 1Rs 3,4-17), A cena acontece em Gabaon, lugar mais alto, local de sacrifício, onde se dá um diálogo de Salomão com Deus. E, Salomão agradecido pede a Deus: “o que posso te oferecer, pois agora sou o rei no lugar de meu Pai Davi, que já faleceu, sou jovem e não sei governar. Desejo um coração que escuta, para poder governar o povo, sabendo discernir entre o bem e o mal”. E, Deus responde: “você não pede vida longa, nem riqueza, nem a vida de seus inimigos, por isso te darei, um coração sábio e inteligente, mas, também te darei, riqueza e glória e se seguires meus caminhos, também te darei vida longa”. Salomão, acorda assustado e descobriu que tudo era um sonho.

Bem mais tarde nos dirá Santo Inácio de Loyola: “Somente Deus responde ao mais profundo desejos do coração humano”. Daí, me questiono: “Quais os meus desejos – ser bem-aventurado? Tenho um objetivo para este desejo? Qual o meu caminho hoje, neste mundo tão vazio de lideranças, de repostas e até de Deus. Consigo, desejar como Salomão? Quando aponto meus desejos para Deus, sinto minha vida pulsar e passo a exprimir aquilo que me atrai, e passo a ter intimidade comigo mesmo, gerando uma resposta positiva e de entendimento ao sentido de meus desejos, tal qual a frase: “Diga-me quais são os seus desejos e lhe direi que você é”.

A partir desta abertura interior, onde permito este diálogo com Deus em minha vida, passo a compreender que meus desejos são a base de minhas decisões, ganho confiança e sentido para seguir com liberdade. Sinto que meus desejos são intensificados pela graça de Deus, às vezes desejos difíceis se tornam realizáveis, dificuldades se superam e sinto que posso ir mais um pouco, fora de mim mesmo, desejo de busca da comunicação, de diálogo com o próximo em vista de vida comunitária.

Mas, desejos, precisam ser orientados para o bem e para isto vale o “discernimento”, que dá autenticidade aos desejos, iluminando, orientando corretamente para onde devo ir. Mas, a melhor orientação que posso ter é configurar os meus desejos com o modo de ser de Jesus, como dizia Santo Inácio: “desejos autênticos precisam ser cristocêntricos”.

Concluo, com a canção “eu quisera”, que muito me lembra a simplicidade dos desejos de Santa Teresinha do Menino Jesus:

O desejo de ver-te adorado,
Tanto invade o meu coração,
Que eu quisera estar noite e dia
A teus pés em humilde oração.