Na Profecia, Natã diz a Davi, que o Senhor está com ele e que o tirou das pastagens, para ser um príncipe e preparou, junto dele, um lugar para o Povo de Israel, e, Davi faz a Vontade do Senhor (cf. 2Sm 7,1-17). Já, bem antes, na Tenda Sagrada fora do acampamento, Moisés deseja ver a glória de Deus e pede o conhecimento de Seus caminhos, para o conhecer e encontrar a graça (cf. Ex 33,7-23).

No livro de Gênesis, quando fala da vocação de Abraão, vemos Deus pedir para Abraão sair da terra e ir para um lugar que Ele irá mostrar, e fara dele uma grande nação, o abençoará. Abraão parte, fazendo a Vontade de Deus (cf. Gn 12,1-12). Mais tarde, na Carta aos Hebreus, irá falar desse mesmo Povo de Deus, como modelo de fé: Pois graças a Fé de Abraão, que obedeceu a Deus, o povo sem saber para onde ia, o segue, e pela mesma fé, chega a Terra Prometida. Também graças a fé de Sara, ela irá conceber em idade avançada, e pela fé, devido a morte de um só homem, nascerão numerosos filhos (cf. Hb 11,8-16). Por fim, no Novo Testamento, Jesus ao encontrar o cego Bartimeu, diz a ele “a tua fé te salvou” (cf. Mc 10,46-52).

Após leitura dos textos citados, onde observamos a importância de fazer a Vontade de Deus, seguir seus caminhos e manter a fé, nos deparamos com o trecho da canção do Pe. Zezinho: “Como são belos os pés do mensageiro / Que anuncia a paz”, e, ainda nos dirá o frei carmelita Carlos Mesters: “Conhece-se Jesus pelos pés”. Tudo para falar do “caminho”, via de mão dupla, pois, quando se faz Aliança: o trajeto de uma pessoa para Deus, se encontra no trajeto de Deus no interior da pessoa. A cena da Anunciação (cf. Lc 1,26-38), nos aproxima de modo singular esta Aliança.

De Deus vem o caminho da graça, e neste encontro entre dois peregrinos, desperta no ser humano um movimento, que será acontecimento contínuo, que o moverá sempre a frente, o colocando em saída. Assim, Deus é o que move, e nesta aceitação da graça em nossa vida, caminhamos, como um peregrino.

Esta associação da graça de Deus e o desejo da pessoa, nos impulsiona no deserto da vida, mas para tal é imprescindível, que pelo discernimento, reconheçamos os caminhos do Espírito e os ventos da graça.

Uma vez discernido, esse encontro Graça x Pessoa, haverá um descentramento, nos colocando para fora, em saída. Santo Inácio de Loyola dizia: “Na vida espiritual tanto mais aproveitará quanto mais sair do seu próprio amor, querer e interesse” (EE 189). Daí, entrar nos caminhos de Deus é viver em andanças, evoluindo numa peregrinação sem fim, mostrando que nossa vida é uma travessia. Mas, se estamos apegados ao que temos, jamais seremos capazes de “fazer estrada” com Deus.

O meu desafio, será situar-me, pôr-me em marcha, tendo Jesus Cristo como modelo de peregrinação, pois o Rei Eterno convoca e me põe em movimento e como diz o poeta Thiago de Mello, de Barreirinha-AM: “Não tenho caminho novo. O que tenho de novo é o jeito de caminhar”. Assim seja!