O Bom Samaritano

“Na tua opinião, qual dos três foi o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes” (Lc 10,36)?

Foi o samaritano que saiu de si e se expôs com bondade e compaixão, sendo solidário com o próximo, onde fez uma travessia saindo de seu interior, se colocando em saída, e com isto, eles se aproximaram e houve o encontro de um “eu” disponível, saldável, com recursos, com saúde, disposição e boa vontade com um outro “eu”, despojado, estirado no chão, quase morto, que nem levantar podia, sem recursos e sem ter aonde ir. Este estava só, caído, à margem.

Um corpo, uma voz se aproximam e a proximidade cria laços, este é o samaritano, aquele que não é levita ou sacerdote, aquele que não prega a fé ou a ética a favor do legalismo. Mas, o samaritano, tem algo que os outros não tem: atitude de misericórdia e se aproxima do homem caído e ao se achegar tem a oportunidade de ver de perto, o sentido de tanta violência desnecessária com um ser humano, tal como ele.

Ter esta mística de olhos abertos (J.B.Metz), é ter um olhar diversificado e não petrificado, que me prende ao meu egoísmo. Olhar o outro e sair ao encontro, significa amar o próximo. É no próximo que vemos Deus, e este próximo passa a ser templo, lugar de encontro, lugar de compaixão, de amor e de se reinventar, e ser solidário.

Verter compaixãoagir, são os três passos do amor misericordioso para com um estranho, que nada tem e está jogado ao relento, fruto da violência de uma sociedade sem amor. O próximo aqui, não é ninguém de nosso grupo, nenhum familiar, mas uma vítima da violência a beira da estrada necessitando de ajuda.

Podemos verificar, que a parábola, aponta para um fenômeno pós-moderno, conforme nos atestam alguns sociólogos: “a invisibilidade urbana”. Pois, vemos violência, miséria, sofrimento, exclusão, que são realidades que não nos chocam mais, pois estamos anestesiados. Como nos diz o Papa Francisco: “caímos na globalização da indiferença e nos habituamos ao sofrimento do outro”.

Considerar a “invisibilidade” das pessoas nas estradas de sua vida: que atitudes brotam de seu coração?

Brota muita tristeza, pois só vemos aumentar a miséria, devido a falta de políticas públicas, conforme anuncia o Papa Francisco na EG,188 “Embora um pouco desgastada e, por vezes, até mal interpretada, a palavra «solidariedade» significa muito mais do que alguns atos esporádicos de generosidade; supõe a criação duma nova mentalidade que pense em termos de comunidade, de prioridade da vida de todos sobre a apropriação dos bens por parte de alguns”.

Considerar a gratuidade do samaritano: “ele viu, sentiu compaixão e cuidou do ferido”. Você se deixa afetar pela situação do excluído e marginalizado, vítimas de uma sociedade insensível?

Graças a Deus vemos muitas pessoas com gestos de compaixão, trocando seu tempo para ser solidário e pensando nos excluídos, no marginalizado. Vale a pena dar um pouco de seu tempo, ao carinho de uma dedicação por quem não conhecemos, pois nestes encontros protagonizamos os melhores encontros com Jesus.

Referência Bibliográfica

PALAORO, A. Solidariedade: o amor como êxodo solidário, comentários 15º Tempo Comum;

DALLA COSTA, A.G.https://www.youtube.com/watch?v=WPW2Z8zQ-uM, disponível em 09/07/2019.