Caminho de Santiago de Compostela – chegando a Zubiri (Espanha)

O desenvolvimento de uma pessoa efetua-se num campo de forças em que sua liberdade pessoal é continuamente confrontada as coisas do mundo. Desde a abertura dos EE, propõe-se uma pedagogia participativa, excluindo-se a ideia de aquisição passiva de um saber: “De fato, não é o muito saber que satisfaz a alma e a sacia” (EE 2). Daí, que exercícios: evoca deslocamento pessoal e esforço, participação que tem em vista: “procurar e encontrar a vontade de Deus na disposição de sua vida” (EE 1).

Inácio propõe que, desde o início, o exercitante, ao menos no nível de desejo, se ponha à disposição do Senhor e opte (= faça eleição) por tudo aquilo que Ele venha a propor (EE 5 e 23). Esse lugar é um pré-requisito muito importante para alguém ser admitido aos exercícios completos.

É um “vencer-se a si mesmo” (EE 21), superando quando possível os obstáculos interiores, ou seja, as “afeições desordenadas”, que impedem escutar e seguir o apelo de Deus. Esta experiência pode ser vivida na 1ª Semana dos EE.

O Pe. Ricardo Antoncich, SJ propõe a leitura dos nº 1, 21 e 23 dos EE, e devem ser organizadas no seguinte esquema:

  1. Dispor a alma: para abandonar as afeições desordenadas – aqui se encerra uma concepção antropológica;
  2. Encontrar a vontade de Deus: para ordenar a vida – é uma inserção da liberdade humana na história da salvação, tendo Jesus como modelo;
  3. Servir a Deus: para salvar a alma – a busca do destino escatológico, que é a eternidade.

Esta é uma pedagogia progressiva do EE, em etapas bem definidas, e que supõe um orientador. É inútil pretender passar adiante se o objetivo da etapa não foi alcançado. Deve-se proceder sem pressa ou impaciência (EE 11). Os objetivos são concatenados nesta sequência:

  1. Tornar-se “indiferentes” (EE 23);
  2. Obter “dor e lágrimas” (EE 55);
  3. Emendar-se e ordenar-se pelo conhecimento interno dos pecados (EE 62);
  4. Propor-se a não pecar (EE 65);
  5. Não ser surdo ao chamamento (EE 91);
  6. Conhecer as intenções de Cristo e Satanás (EE 135);
  7. Conhecer as armadilhas do inimigo (EE 139);
  8. Ser acolhido na melhor e maior humildade (EE 168);
  9. Pedir dor, sentimento e confusão (EE 193);
  10. Alegrar-se e ter prazer (EE 221);
  11. Pedir conhecimento interno por tanto bem recebido (EE 233).

Mas, este processo pedagógico é dinamizado por um diálogo com o orientador dos EE, ou melhor, companheiro de jornada, que ajudará no caminho espiritual. Sua função não será interrogar, nem ensinar, mas sim escutar de forma mansa e bondosa (EE 7), formando assim:

  1. Teografia: onde se encontra o exercitante na sua real experiência com o Pai, o Filho e o Espírito?
  2. Mistagogia: que pedagogia do mistério poderá iluminar o caminho do exercitante?

O diálogo exercitante e companheiro de jornada, deve ser bem pedagógico. Aquele que orienta, deve desaparecer à medida que avança o processo espiritual, deixando a pessoa cada vez mais livre, para em tudo amar e servir.

Referência Bibliográfica:

  • FILHO, S.C. OS EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS DE SANTO INÁCIO DE LOYOLA, Um Manual de Estudo, E. Loyola, São Paulo,SP, 2014. Pág. 25-27