Gn 3,4: Mas a serpente disse à mulher: “Não morrereis de modo algum!

Ao refletirmos sobre o trecho de Gn 3,1-13, sobre a tentação e o pecado dos primeiros pais, que repetidamente experimentamos em nossas vidas, nos deparamos com a serpente insinuando para desconfiarmos da Palavra de Deus, e buscarmos, desta forma, aspirações maiores, para nos tornarmos semelhantes a Deus.

Na cena, o que a serpente diz a mulher, contém uma finura psicológica, pois gera motivação sobre ela, a não ter mais fé e nem confiança em Deus, gerando um sentimento de frustração diante daquilo que Deus exige. Agora, a mulher possui o desejo de reivindicar a própria excelência.

A serpente é ligada a criação dos animais (cf. Gn 2,19); é uma das feras do campo, a mais astuta. Mais tarde, o evangelista Mateus, irá narrar as instruções de Jesus aos Apóstolos, pois, baseado na astúcia da serpente, e devido a sua maneira de se deslocar, tortuosa e insinuante, Jesus, pede para que “sejamos prudentes como as serpentes e simples como as pombas” (Mt 10,16).

A luz da revelação, entendemos que a serpente é o diabo (acusador, caluniador), pois conforme o Livro da Sabedoria nos diz: “foi pela inveja do diabo que a morte entrou no mundo” (2,24). Mais tarde, Jesus irá dizer, para aqueles que se dizem filhos de Abraão, mas o perseguem: “Vós tendes por pai o diabo… ele foi homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque não há nele verdade; quando ele mente, fala do que lhe é próprio: ele é mentiroso e pai da mentira” (Jo 8,44); e no Livro do Apocalipse, a antiga serpente é chamada de dragão (Ap 12,9).

A serpente (diabo ou dragão), aparecem sempre de duas formas: real ou aparente. Mas, será que a serpente da aparição é verdadeira? – Não importa! Vale a provocação, a tentação sobre a mulher, que contém três aspectos: contra a fé (a mulher acreditou na serpente – v.4); contra a bondade divina (vossos olhos se abrirão – v.5a) e querer ser igual a Deus (v.5b). No v.6, a mulher insiste na progressiva tentação e oferece ao marido, que igualmente aceita e comete os mesmos erros. E, no v.7, o tema se encerra, com a aparição do efeito imediato da desobediência: o aparecimento do pudor, pois se descobrem que estão nus.

Texto este que descreve uma situação de pecado e que não é fácil a qualquer exercitante dos Exercícios Espirituais. Nossa opção será, se abandonar no perdão e no amor gratuito, oferecido por Jesus Cristo.