Na Sagrada Escritura, ao observarmos a figura de Maria, a vemos como parte importante do desígnio salvífico, que foi desencadeado pela livre iniciativa e bondade de Deus. Onde tudo começa em um diálogo, que culminará com o seu Sim, sendo a cada um de nós, exemplo de disponibilidade ao sim que damos a Deus.

Ao nos aproximarmos dos textos que falam de Maria, observamos que estes são: estratégicos e essenciais a todos nós, pois nos falam ao coração. Os textos são estratégicos, porque mostram o desenvolvimento da História da Salvação, em suas grandes etapas significativas, que são: a Encarnação, a Cruz e Pentecostes. Também, podemos dizer que os textos são essenciais, porque estão visceralmente ligados aos mistérios da fé cristã.

Assim, aconteceu nas primeiras comunidades cristãs, pois, tinham como desafio a necessidade de justificar que o crucificado era o Senhor da Glória. Maria é um elemento que colabora. Tal exemplo, nos contagia a agir nas comunidades atuais, onde imitando Maria, passamos a ser portadores da Boa Nova em nossos ambientes e realidades vigentes, onde mediante as dificuldades, a presença de Maria nos ampara.

Já com relação aos textos do Antigo Testamento, só podemos falar de Maria em sentido de prefiguração. São as prefigurações marianas, que visava expressar que houve na história da salvação uma preparação aos acontecimentos do Novo Testamento, que podemos dividir em três ações na vida de Maria, que seriam: a moral, a tipológica e a profética. Vale lembrar, que estas prefigurações marianas, sustentam e privilegiam a eclesiologia e a piedade popular.

Desta forma, podemos afirmar que a prefiguração moral, refere-se ao fato de que em Maria se verifica a maneira de viver dos pobres e humildes do Senhor que guardam a expectativa da vinda do Messias, tão bem irá reforçar nas Palavras do Magnificat.

Já a prefiguração tipológica, nos aponta que Maria é figura da Filha de Sião, depois será figura da Igreja, que gera novos discípulos missionários a serviço do Reino.

Enfim, a prefiguração profética, pois, em Maria consideram-se cumpridas diversas palavras de profecia, oráculos e anúncios, que irão reverberar no Novo Testamento, a partir de seu silêncio.

Estas prefigurações, trabalhadas em conjunto, nos faz afirmar que Maria foi considerada uma mulher que está intimamente ligada à História da Salvação. Um Sim para a Vida, um Sim para o irmão, refletindo em nossos corações, para que estejamos em saída, sendo as mãos visíveis de Maria em nossas realidades, atualmente tão poluídas.

Sabedores que a descida do poder do Altíssimo sobre Maria, encontra-se em Lc 1,35, onde nos diz: “O Espírito descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra”. Versículo este, que é o coração da relação entre o Espírito Santo e Maria, mostra-nos que os acontecimentos da Plenitude dos Tempos, ainda se desenrolam, desde que façamos, neste tempo presente, os mesmos passos de Maria, ou seja, a sua imitação. Deixemos que o Espírito de Deus nos cubra com sua sombra.

Referência Bibliográfica:

  • DA COSTA, Jonas Nogueira. Maria e o Espírito Santo. Nas Sagradas Escrituras e nos Santos Padres. Ed, Santuário, 2020, p. 5-7.