EE 45-54

Trata-se de uma meditação sobre as três potências, que irão atuar sobre o primeiro, segundo e terceiro pecado. E compreende: a oração preparatória, dois preâmbulos, três pontos principais e um colóquio.

As potências, são movimentos que ativam a alma: o que lembro (fruto de minha memória), o que conheço (fruto de meu entendimento) e o que amo (fruto da minha vontade).

Na oração preparatória devo pedir a graça, para que minhas intenções e ações sejam dirigidas a Deus;

O primeiro preâmbulo é a composição do lugar, que pode ser de alguma coisa visível. Ex.: Se estou a meditar uma cena em que Jesus, está curando um leproso, uso de minha imaginação para compor a cena/lugar. Mas, se o assunto da meditação for uma coisa invisível, utilizo o olhar da imaginação. Ex: meditar sobre os pecados dos anjos.

O segundo preâmbulo, consiste em pedir a Deus o que quero e desejo, ou seja, o quero alcançar da graça de Deus. Neste momento, também pedirei vergonha e confusão, pelos meus pecados.

Primeiro ponto: trarei a memória o pecado dos anjos, que recusam a liberdade, se enchem de soberba, e passam do estado de graça a malícia. Comparo com meus pecados, me pondo em movimento;

Segundo ponto: pecados de Adão e Eva. Tinham tudo. Por que desobedeceram? (me ponho em movimento);

Terceiro ponto: os meus pecados, me colocarei diante o Criador. (me pondo em movimento);

Colóquio: diálogo livre na presença de Deus: Que fiz, que faço, que farei por Cristo. Conversar como um amigo fala a outro amigo.

Mas, não é tão importante meditar ou não sobre os pecados dos anjos, de Adão ou da pessoa atual. Devemos notar que fazemos parte de uma história vasta, permanente, atual, em que a realidade do mal se faz sentir vivamente. Podemos observar isso a partir da história de Israel na Bíblia ou a partir das constantes histórias do mundo, a luz da fé.

Cabe observar, que a partir da leitura da atualidade, cujo fruto da meditação, antes que intelectual, é mais de natureza afetiva. Não devo me mergulhar em culpa depressiva: medo de punição; desânimo diante do próprio erro. Ao contrário: preciso ter uma experiência libertadora: diante de um Deus que nos ama; de um Deus, que é solidário; de um Deus que é meu Pai, apesar de todo e qualquer pecado.

Então, o pecado será ocasião para contemplar Deus Pai de um outro ângulo. Percebido no Cristo crucificado do colóquio, que deve ser um diálogo livre na presença de Deus: Que fiz, que faço, que farei por Cristo. Conversar como um amigo fala a outro amigo. Concluo com a oração do Pai Nosso.

Referência Bibliográfica:
  • FILHO, S.C. OS EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS DE SANTO INÁCIO DE LOYOLA, Um Manual de Estudo, Edições Loyola, São Paulo,SP, 2014.
  • LOYOLA, SANTO INÁCIO. EXERCÍCIOS ESPIRITUAIS, (24-44), Edições Loyola, São Paulo,SP, 1985.