A Editora Santuário em parceria com a Academia Marial de Aparecida, vem publicando a Coleção História de Maria, que já está em seu quarto exemplar. No primeiro texto editado, a teóloga Márcia Terezinha Cesar Miné Geraldo nos apresenta o tema “O silêncio de Maria”, que está dividido em três partes.

Mas antes, a autora desenvolve uma introdução, nos colocando no percurso da obra. Nos diz: o silêncio de Maria, se resume a uma paz inquieta, pois a Mãe de Jesus conservava tudo em seu coração (Lc 2,19; 2,51). Salienta que, por não existir uma biografia da Virgem de Nazaré, não se consegue chegar ao Jesus histórico, e os identificamos, somente a partir da interpretação da fé.

E por crer, a partir do “Fiat” na Anunciação é revelada toda a dinâmica da fé de Maria, e a vida vai, a cada dia, tornando manifesto o que a princípio lhe parecia confuso. O silêncio, resume a disponibilidade e receptividade de Maria, promovendo em sua vida fortaleza, domínio de si, maturidade humana. Sendo exemplo a cada um de nós pela sua fidelidade e humildade.

Numa primeira parte, avançamos sobre a fecundidade do silêncio, onde despontam o ouvir, meditar e frutificar. Aos poucos a peregrina na fé vai se transformando em discípula de seu Filho, pois Maria é criatura criada por Deus, ser humano e não um ser celestial. É a cheia de Graça, que não é poupada da espada de dor. Sua causa é a mesma de seu Filho, que é a causa de Deus. Seu silêncio não é de submissão, mas fecundo, que didaticamente, podemos dividir em cinco silêncios.

O primeiro silêncio, se dá antes da anunciação. Quem era Maria? – O Evangelista Lucas revela que era imaculada, cheia da graça de Deus, virgem prometida a José. Maria era mulher pobre, que vivia em Nazaré, por ser judia conhecia os preceitos da Torá; vivia uma vida simples e dura, no ordinário do cotidiano.

O segundo silêncio, acontece na angústia no coração de Mãe, igualmente sentida no coração de José, conforme narrado pelo Evangelista Lucas: “Meu filho, por que agiste assim conosco? Vê, teu pai e eu, nós te procuramos cheios de angústia” (Lc 2,48).

O terceiro silêncio, será a vida oculta no lar de Nazaré, onde Maria não procurava como nós, as glórias do mundo. Ela apenas apreciou os grandes e fecundos silêncios de Deus.

O quarto silêncio, se dará na vida pública de Jesus, que evangelizava com discursos, denúncias, curas e grandes sinais. Ela o fazia de outro modo: com oração, presença e silêncio. Ela só falou em Caná. Mais tarde, esteve de forma presente e silenciosa, à frente da cruz. De pé e calada (Jo 19,25), uma entrega total na fé.

O quinto silêncio, é o que coroa sua vida terrena, aconteceu depois da ascensão de Jesus. Pois, no silêncio de Maria, a Igreja aprende a caminhar na direção do Reino.

Em uma segunda parte, nos é apresentado o caminho do silêncio, que desde o Antigo Testamento vem trazendo lições silenciosas, como o barro nas mãos do oleiro (Is 45,9b) e nos livros sapienciais nos é apresentado o silêncio como algo eficaz (Sb 18,14s). Ao chegarmos no Novo Testamento, podemos afirmar que Jesus aprendeu as bem-aventuranças no silêncio do seio de Maria.

Cabe destaque a teofania divina (Lc 1,38), onde Maria com seu Fiat dá início à plenitude do mistério da Encarnação, pois, totalmente disponível para Deus, Maria une a liberdade com a vontade (Lc 1,37). Essa total entrega do coração a Deus, tem um nome muito simples: fé. E, aponta para algo maior, pois, liberdade, por ser dom, tem necessidade da alteridade.

Maria de Nazaré, pessoa integrada e harmoniosa para nós fiéis, a medida viva da perfeição, que favorece nosso crescimento emocional e espiritual. Maria, mulher e profeta, se fez pobre com os pobres, se empenhou no projeto libertador de toda a humanidade. Representa, a realização plena do que a alma deseja no mais profundo de si mesma.

Na terceira e última parte, nos é apresentado os frutos do silêncio, pois Maria é mãe silenciosa que ama, crê, sofre, espera, por isso seu exemplo de silêncio traz consigo uma carga evangelizadora superior a milhares de palavras, pois busca penetrar o mistério da revelação.

Conclui a autora: Como Maria, devemos refletir os fatos da vida como revelação de Deus, ou seja, lançando esta luz sobre o cotidiano de nossas vidas e ao mesmo tempo ir avançando em nossa caminhada de fé, amparados pela reflexão da Palavra e do mistério que a palavra traz consigo. Será um processo de discernimento, que desencadeia o desvelamento do mistério da atuação de Deus que se faz comunidade, que se resume em Mt 1,20: “Não temas… pois o que ela concebeu é fruto do Espírito Santo”.

Para maior aprofundamento, recomendo este livrinho da Coleção Escola de Maria. Que Maria, se compadeça de nós pecadores, e que aprendamos com o seu “Sim”, a sermos mais silenciosos em nossos atos e atitudes. Amém!