Catequese sobre Sermão do areópago – Parte 1

Introdução:

A partir de At 17,16-34, aproveitemos as catequeses do então Cardeal Karol Wojtyla (São João Paulo II), sobre o célebre sermão de São Paulo no Areópago de Atenas, onde trata de um diálogo, como nossas angústias e incertezas. Com a finalidade de revelar que o anúncio cristão continua, diante da redenção operada por Jesus Cristo.

I – O Deus desconhecido

Paulo ao chegar a Atenas, penetrou no centro da cultura, da filosofia, da arte e da religião do mundo antigo. Paulo, um fariseu convertido a Cristo, alguém que antes perseguia a Igreja nascente. Ao discursar no Areópago manifesta o encontro do legado espiritual de Israel com o legado da Grécia.

At 17,16: “Enquanto Paulo os esperava em Atenas, seu espírito se inflamava nele ao contemplar aquela cidade cheia de ídolos”. A idolatria imperava na cidade e o coração de Paulo se enche de amargura.

At 17,22-23: 22De pé, no meio do Areópago, Paulo falou: “Atenienses, vejo que vós sois, sob todos os aspectos, muito religiosos. 23Percorrendo, com efeito, vossa cidade e considerando vossos monumentos sagrados, encontrei até mesmo um altar com a inscrição: ‘Ao Deus Desconhecido’. Aquele que vós adorais sem conhecer, eu venho anunciar-vos.

A partir deste olhar, nos reportamos a Declaração do Concílio Ecumênico Vaticano II, de 1965 – “Nostra aetate”, que nos diz, em seu nº 1: “Os homens esperam das diversas religiões resposta para os enigmas da condição humana, os quais, hoje como ontem, profundamente preocupam seus corações: que é o homem? qual o sentido e a finalidade da vida? que é o pecado? donde provém o sofrimento, e para que serve? qual o caminho para alcançar a felicidade verdadeira? que é a morte, o juízo e a retribuição depois da morte? finalmente, que mistério último e inefável envolve a nossa existência, do qual vimos e para onde vamos?

Hoje, o que parece constituir o cerne da experiência religiosa é o valor que damos ao sagrado, e a Religião consiste na busca de respostas a perguntas fundamentais sobre a existência humana. Voltemos ao areópago, no discurso de Paulo At 17,27: “a fim de que busquem a Deus para atingi-lo, se possível, andando como que às apalpadelas, embora não esteja longe de cada um de nós”.

Assim, para o Apóstolo Paulo, o altar ateniense com a inscrição “Ao Deus desconhecido” significa a expressão da religião como busca de Deus. Mais, tarde o Concílio Vaticano II, a partir da Nostra aetate nº 2, nos fala do hinduísmo e do budismo, apontando características de ambos os sistemas religiosos, onde nos fala, que todas as religiões “vão ao encontro das inquietações do coração humano”. Confirmando que o antigo homem de Atenas, procurava com aquela inscrição, expressar seu sentimento religioso.

Podemos até afirmar, que a religião dos gregos aquela época, estava associada a uma mitologia rica e com características marcadamente antropomórficas, o que deixava o coração de Paulo amargurado (cf. At 17,16), por isto, Paulo conclama os Atenienses, apontando para o Deus desconhecido, e diz: “O que adorais sem o conhecer, eu vo-lo anuncio!” (At 17,23).

É importante atualizarmos as palavras de Paulo, conforme nos faz o Magistério da Igreja, ainda a partir da Nostra aetate nº 2: “A Igreja Católica nada rejeita do que nessas religiões existe de verdadeiro e santo”. Tal como, autores cristãos, como São Justino, São Clemente de Alexandria, que não hesitavam em falar das “sementes do verbo”.

Referência bibliográfica:

Wojtyla, Karol. CRISTO, A IGREJA E O MUNDO, Catequeses do Areópago. Ed. Quadrante-SP, 2019